T34 Julho & Agosto 18
Dois cafés & a conta

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O futuro é a produção
Fernando Castro vai complementar a importação e montagem com a produção de máquinas próprias
Um mau prenúncio
Em 2002, o pai avisou-o: “A perder cinco mil euros/mês, ainda aguentas isto mais dez anos”
FERNANDO CASTRO

Nasceu e cresceu em Fafe, filho de um técnico de máquinas (Francisco Castro) que arriscou estabelecer-se por conta própria. Durante anos dedicou-se à paixão dos karts. Só tinha olhos e cabeça para as corridas, mas em 2002, o pai achou que era chegada a hora dele começar a bulir e ocupar-se de outras máquinas - as de costura.

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ode ser perfeitamente legitimo que Fernando Castro invoque em sua defesa a péssima conjuntura. 2002 – o ano em que o pai o pôs à frente da J.B. & Castro – não era exactamente o melhor dos anos para quem ganha a vida a vender máquinas de costura às fábricas de confecção.

Alarmado com os 60 mil euros de prejuízo acumulados no primeiro ano em que geriu a empresa da família, Fernando teve uma conversa de homem para homem com o pai, em que lhe sugeriu que voltasse ao negócio das máquinas de costura e pusesse entre parêntesis a sua incursão no setor da construção civil e imobiliário.

“Tens de vir para aqui outra vez”, apelou Fernando, então com 24 anos. “A perder cinco mil euros/mês, ainda aguentas isto mais dez anos”, respondeu-lhe o pragmático pai, deixando o filho descoroçoado – e convencido de que não tinha outra solução senão deitar as mãos à obra e ver como poderia dar a volta ao assunto.

Conseguiu. A conjuntura era péssima. Foram mesmo anos muito duros. “Era o cabo dos trabalhos para vender uma máquina. E quando vendíamos ficávamos com o coração nas mãos, não fosse o comprador entrar em  insolvência e não pagar”, recorda. Mas ele conseguiu. No final do segundo ano, já as contas estavam equilibradas.

Costumizar as máquinas que importa (tem a representação de marcas como a Brother, Vibemac, Pegasus ou Maica), adequando-as às necessidades especificas de cada cliente, foi um dos segredos da J.B. & Castro para atravessar os anos de chumbo da nossa ITV e chegar a 2017 com uma volume de negócios de 1,8 milhões de euros e as contas escritas a tinta azul.

“Em 2012, as coisas começaram a melhorar. E 2013 já foi um ano bom”, recorda Fernando, que escolheu almoçarmos no restaurante Donna Brasa, do seu amigo e cliente (tem uma pequena confecção) Miguel Teixeira, que fica a um tiro de distancia do local do célebre salto da classificativa da Lameirinha do rali de Portugal.

A nossa ITV deu a volta por cima, e a J.B. & Castro prosperou com isso, o que obrigou Fernando a fazer planos e investir na mudança das atuais instalações, com 700 m2, no centro de Fafe, para um pavilhão com mais do dobro da área, na N 311, onde concentrará as atividades de venda ao público e a oficina de montagem, costumização e reparação de máquinas.

Mas Fernando aprendeu a estar atento aos sinais. Como sabe que estar parado equivale a andar para trás, prepara-se para subir na cadeia de valor, complementando a atividade de importação e montagem com a de produção de máquinas de marca própria – e apostando na exportação,

“Portugal está a ficar muito pequeno. Está tudo a fugir para Marrocos, onde o preço da confecção é mais barato e a mão de obra é abundante. Eu tenho de ir atrás dos clientes. Ainda há pouco tempo vendi 400 máquinas para uma confecção portuguesa que tem uma fábrica em Marrocos”, explica Fernando Castro, que descobriu como conciliar a diversão da antiga paixão por máquinas de acelerar nas estradas (ainda faz ralis, como co-piloto, e provas de todo o terreno) com a devoção de montar, reparar e construir máquinas para a indústria têxtil.

Perfil

Nasceu e cresceu em Fafe, filho de um técnico de máquinas (Francisco Castro) que arriscou estabelecer-se por conta própria, tendo como sócios José e Benjamim - cujas iniciais ainda permanecem na razão social da empresa, se bem que eles há muito já não façam parte do capital. Nunca saberemos até onde o jovem Fernando teria progredido nos estudos se não se tivesse dado o caso do pai lhe ter oferecido um kart por ocasião do seu 14º aniversário. A partir desse momento, que ele identifica como o pecado original, só tinha olhos e cabeça para as corridas, não só no kartódromo de Rilhadas (que então pertencia a Francisco Gonçalves, empresário têxtil e tio de Marques Mendes), mas também nos de Baltar ou do Cabo do Mundo. Durante dez anos, os motores e as corridas foram a sua grande paixão e única preocupação. Até que em 2002 o pai achou que era chegada a hora dele começar a bulir e ocupar-se de outras máquinas - as de costura.

RESTAURANTE
Donna Brasa

Entradas: Presunto, pimentos de Padrón e cebolinhas novas  Pratos: Cabrito assado no forno Bebidas: Espumante Terras do Demo bruto branco, água e cafés

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