T36 Outubro 18
Dois cafés & a conta

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Contra a corrente
“Fazer o percurso ao contrário foi vantajoso, pois já tínhamos a sensibilidade do que é ter uma marca"
Crescimento paralelo
Fazer private label fez a empresa crescer, com o aumento do controlo sobre a cadeia de produção
DANIEL SIMÕES

Daniel Simões, 39 anos, é Marketing & Sales Manager da Top Trends, uma empresa que contrariou as tendências e começou por vender apenas roupa com a sua marca própria e só depois passou para o regime de private label.

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ão há apenas uma maneira certa de fazer uma coisa e a prova dos nove dessa tese é a Top Trends, que começou a comercializar apenas roupa com a sua marca própria (MDS) e só depois, quase por acaso, passou também a vender em regime de private label.

“Tudo começou há meia dúzia de anos. Estávamos no Modtissimo, a expor a nossa colecção, quando entrou no nosso stand um comprador francês, da Cotemer, que gostou tanto do que viu que nos perguntou se não estamos interessados em vender para a marca deles”, recorda Daniel Simões, durante o intervalo para almoço no segundo dia da Munich Fabric Start, onde a Top Trends estava a expor.

Daniel identificou logo ali uma janela de oportunidade para abrir uma nova vertente da sua atividade, com os seus prós (as encomendas estão garantidas, pois o risco da venda fica do lado do cliente) e contras (as margens são mais pequenas), mas que tinha a vantagem de permitir à empresa crescer reduzindo a sua exposição a um único segmento do negócio de vestuário.

“Fazer o percurso ao contrário acabou por ser vantajoso, pois já tínhamos a sensibilidade do que é ter uma marca – o que a esmagadora maioria das empresas que apenas se dedicam à produção não têm”, afirma o filho de Joaquim Simões, que começou como vendedor ambulante, antes de sedentarizar o negócio com a ajuda da mulher Maria de Fátima.

Falar a mesma língua que os clientes, saber ao pormenor o que eles precisam (“Às vezes precisamos muito de fazer testes com séries muito pequenas”, esclarece) é uma vantagem comparativa para a Top Trends.

Curiosamente, fazer private label obrigou a empresa a crescer, ajustando processos, indo ao mercado procurar novos clientes e aumentando o controlo sobre toda a cadeia de produção – o desenho, modelagem e corte das peças são feitos internamente, sendo a produção colocada em fornecedores que, com excepção dos de acessórios e marroquinaria (que são da Benedita), estão todos concentrados num raio de 30 km à volta de Barcelos.

“Controlando internamente o cérebro da operação, ganhamos margem e competitividade no preço”, reconhece Daniel, que tem em curso uma negociação com duas marcas italianas topo de gama que, a ser bem sucedida, permitirá à Top Trends passar a barreira do milhão de euros de vendas.

No private label, Daniel sabe que o caminho não é estar nas grandes quantidades e a esmagar preços, mas a oferecer aos clientes produto de alta qualidade e grande valor acrescentado. “Não é para estar sempre a pensar que tenho de tirar dois ou três cêntimos por peça para a conseguir vender”, explica.

A marca própria evolui em paralelo. Em 2006, na sequência de um esforço para afinar o conceito e estilo próprio (“Não é um produto de massas, mas uma marca total look que alia moda ao conforto”), as letras MDS deixaram de ser as iniciais de Maria (a mãe), Daniel (ele) e Simões (o apelido da família), para corresponderem às iniciais de Mad Dragon Seeker – passando a integrar no seu ADN a virtuosa loucura do dragão que continua a sua busca incessante de uma coisa diferente.

Perfil

Nasceu e cresceu em Alvelos, Barcelos, onde ainda vive e trabalha. No final do secundário, feito em Barcelinhos, estudou Engenharia e Gestão Industrial na Lusíada (Famalicão). “Queria um curso que combinasse economia - as disciplinas de gestão e marketing - e engenharia”, explica. Quando fez esta escolha já estava a pensar que iria trabalhar para a empresa dos pais. “Tinha o bichinho e o gosto”, confessa Daniel, que fez toda a faculdade como trabalhador/estudante pois, mal completou 18 anos, começou a trabalhar em part time na Top Trends, “a fazer o que fosse preciso, desde carregar uma caixa até fazer uma encomenda”. Outra coisa não seria de esperar do neto de uma avó materna que tinha um negócio de tecidos e de um avô paterno que carregava às costas uma espécie de hipermercado ambulante, vendendo nas feiras uma larga gama de produtos, que ia dos talheres à roupa

RESTAURANTE
La Cucina

MOC
Lillientalallee, 40
Munique

Entradas: Pão com azeite Prato: Pennette com ragu de vitela à napolitana Bebidas: Uma cerveja, um copo de riesling e dois cafés

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