T58 - Novembro 2020
Dois cafés & a conta

António Moreira Gonçalves

Sonhos de menino
"O bichinho da têxtil é inato, e a empresa era o local onde passávamos as férias ou os fins de semana”
Investir para evoluir
Ao longo dos últimos dez anos, a empresa investiu cerca de um milhão de euros em equipamentos
JOÃO RUI PEREIRA

João Rui Pereira ainda se lembra do exacto momento em que a Pafil nasceu: “estávamos numa viagem para o Algarve, em férias, e os meus pais estavam a discutir a ideia de criar a empresa e qual seria o nome”, conta. A mãe, modista de profissão, via as encomendas a crescerem, e o pai, responsável de armazém na Grundig, acabou por largar o emprego para agarrar o chamamento dos têxteis. Mas na génese da empresa esteve sempre toda a família, incluindo os três filhos: João, Bruno e Carla. De tal maneira, que o nome escolhido há 32 anos, Pafil, é um acrónimo para “Pais e Filhos”

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tualmente toda a família continua envolvida na gestão da empresa, mas os pais foram passando o testemunho. São os filhos que hoje lideram os destinos de uma nova Pafil, especializada em peças com elevada tecnicidade, da moda ao vestuário de proteção, athleisure, sportswear ou vestuário de neve.

Formado em engenharia e com experiência em gestão, João Rui Pereira é, desde há oito anos, responsável pela gestão financeira, de sistemas e recursos humanos, enquanto o irmão Bruno, também engenheiro, está à frente da produção, e Carla, formada em gestão, assume as lides do gabinete comercial. “Foi um processo natural quando chegamos à Pafil, porque na verdade todos nos formamos e trabalhamos fora, mas sempre com a ideia de rgresso. O bichinho da têxtil é inato, e a empresa era o local onde passávamos as férias ou os fins de semana”, lembra.

Ao longo da última década, foi com a experiência e o espírito de engenheiro, que João e os irmãos foram renovando a Pafil. Ao esforço em combater o desperdício e aumentar a eficiência – “gosto da filosofia Keep It Simple” – aliaram um investimento progressivo em novas tecnologias. Ao longo dos últimos dez anos, a empresa investiu cerca de um milhão de euros em equipamentos, o que desaguou na necessidade de novas instalações.

Em junho completaram a mudança, uma curta distância de centenas de metros entre a antiga casa, em Viatodos, Barcelos, para uma nova fábrica, criada de raiz, em Louro, Famalicão. Na transição, a Pafil ficou com o triplo do espaço (4500m2) e ganhou uma organização mais fluída: “desde a entrada das matérias-primas à expedição, há um circuito linear, que faz com que nenhuma peça tenha de andar da frente para trás”, explica João Rui.

“Investir em diferentes máquinas é um risco, porque há momentos em que elas estão paradas, mas é também uma oportunidade, porque permite aos clientes acumularem pedidos e explorarem diferentes produtos. Se alguém vem a um país que não conhece com uma encomenda, vai sempre preferir encontrar tudo o que precisa num único fornecedor que lhe transmita confiança”, afirma o responsável da empresa.

O portefólio da Pafil Confecções, que atualmente conta com uma equipa de 72 pessoas, vai das soluções mais tradicionais à vanguarda da tecnologia, como o corte e perfuração a lazer, termocolados ou ultrassom. “No têxtil português temos de seguir o caminho da inovação, qualidade e tecnologia, para que o custo não seja a questão central”, diz.

No caso da Pafil, a estratégia tem resultados. A faturação, que ronda os dois milhões de euros, é feita quase exclusivamente para exportação e para sectores de elevado valor acrescentado. França, Holanda e Alemanha são os seus principais mercados e pelas máquinas da empresa passam peças tão variadas como os vestidos da Givenchy, os equipamentos de corrida da francesa Satisfy – conhecida como a Louis Vuitton do running – o vestuátio de motociclismo da BMW, de náutica da Maserati, ou os fatos dos bombeiros espanhóis para a intervenção em fogo urbano. Tudo isto entre muitas colecções de vestuário para a neve ou para desportos outdoor, como caça ou montanhismo.

Um posicionamento que permitiu à empresa sentir-se mais protegida do impacto da pandemia. O trabalho em pequenas séries e com marcas de segmento alto fez com que a redução do consumo não se sentisse de forma tão drástica. Para além disso, a partir da sua experiência com equipamentos de protecção, a Pafil apressou-se a certificar máscaras e a fornecê-las ao mercado português, fornecendo empresas e instituições, como a RTP ou o Governo Regional dos Açores. Um complemento ao seu negócio habitual, que faz a empresa prever o fecho de 2020 no verde, com um crescimento a rondar os 3%.

Perfil

“Cresci entre os farrapos”, resume o engenheiro electrotécnico pela FEUP – “a melhor faculdade do mundo – que antes de assumir a gestão financeira, de sistemas e de recursos humanos da empresa criada pelos pais, foi durante 15 anos foi gestor de sistemas e redes ligado à construção e segurança no sector bancário. Uma experiência que aplicou nas novas instalações da Pafil Confecções, inauguradas este ano. “Na entrada temos uma porta sempre aberta, mas que dá apenas acesso a uma antecâmara que é controlada pela nossa equipa, tal como nos bancos”, exemplifica. Teve ainda um projecto-próprio na área da gestão de redes e sistemas, antes de há oito anos, a par dos irmãos Carla e Bruno, assumir a liderança da Pafil. É casado e tem dois filhos, Gonçalo (15 anos), que adora biologia, e Pedro (9 anos), que é apaixonado pelo futebol e já veste as cores do FC Porto. Para além dos jogos do Pedro, nos tempos livres dedica-se à prática de Alex Ryu Jitsu, um desporto de combate nascido em Famalicão.

RESTAURANTE
ME.AT
Av. 25 de Abril, 22
4760-101 Vila Nova de Famalicão

Entradas Tacos de camarão, pão e manteiga Prato Cowboy steak maturado a 40 dias, acompanhado por batata frita, arroz de feijão preto e legumes Sobremesa Crème brulée Bebidas Douro Tinto (Curvas de Murça Reserva 2015) e café

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