T70 - Fevereiro 2022
Dois cafés & a conta

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A inovação
Miguel quer perceber o que o mercado procura e estar preparada para poder responder de imediato
Equipa de I&D
A equipa de inovação está a dar resultados com jogos mais finos, técnicas e fibras com novos acabamentos específicos
T70 – Brito Knitting | Miguel Garcia

As obras têm sido uma constante nos anos mais recentes da Brito Knitting. São as dores de crescimento de uma empresa que aposta na internacionalização, não espera pelos desafios e prefere jogar antes na antecipação.

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span style="font-weight: 400;">Quer perceber o que o mercado procura e estar preparada para poder responder de imediato a todo o tipo de solicitações. “Temos feito um esforço muito grande de actualização. Principalmente nos últimos cinco anos, o investimento e a melhoria têm sido contínuos, de forma a termos uma estrutura flexível e estar preparados para agarrar todas as oportunidades de um mercado cada vez mais globalizado”, explica Miguel Garcia, o engenheiro que entrou como estagiário e em poucos anos se tornou administrador e accionista. 

É uma estratégia que encara a mudança sobretudo como fator de competitividade. “Se não estivermos preparados não temos a garantia de poder agarrar as oportunidades. A inovação já não está só no produto, está na racionalização do processo produtivo, na afirmação em termos de competitividade”, destaca. 

É por isso que, apesar desse crescimento continuado dos últimos anos, a fabricante de malhas tem já pronto a arrancar um novo projecto numa área com 8.000 m2 contigua à sua unidade industrial. Um pavilhão a construir em duas fases e destinado sobretudo às áreas de armazenagem e centro logístico – “é a nossa lacuna actual”, reconhece Miguel Garcia -, num investimento de deve rondar os quatro milhões de euros.  

Nascida há 26 anos (1996) num pequeno armazém alugado e com apenas três máquinas e outros tantos funcionários, a Brito Knitting mudou-se há 15 anos para o pavilhão próprio onde operam já mais de 60 máquinas e 50 colaboradores e tem tido uma facturação estabilizada entre os 12 e 13 milhões de euros. 

“Fabricamos todo o tipo de malhas circulares para os mais diversificados segmentos de moda e vestuário. Graças ao nosso parque de máquinas somos uma empresa que quer responder a todo o tipo de procura, com variedade de jogos, diâmetros, pontos, estruturas e composições”, explica o administrador. 

A oferta e desenvolvimento de novos produtos é outra das vertentes da faceta competitiva da Brito Knitting. Jogos mais finos, técnicas e fibras com novos acabamentos específicos são já o resultado da acção de uma equipa própria de I&D, que surgiu associada à estratégia de internacionalização. “A evolução não é uma opção, é obrigação sem a qual não vamos conseguir chegar à criatividade e inovação”, garante o líder da empresa quer fazer dos clientes dos seus produtos cada vez mais parceiros de produção. 

Graças a essa aposta na internacionalização que tem sido seguida nos últimos cinco anos há já clientes que procuram a empresa e acompanham as colecções. Tendo a exportação como destino final, o grosso da produção acaba por ser entregue nos confecionadores da região, mas a exportação direta para clientes de França, Inglaterra, Polónia ou EUA começa a ganhar peso.  

Um crescimento que a Brito Knitting quer sustentado na polivalência, flexibilidade e qualidade como factores diferenciadores. “O volume não é o objectivo imediato”, garante Miguel Garcia que centra a aposta numa estrutura flexível e na capacidade de resposta num mercado cada vez mais globalizado. Daí a estabilidade conseguida nos últimos anos, que nem a retraçºao de 2020 conseguiu abalar. “Foi um ano difícil de gerir, aproveitamos para diversificar e desenvolver novos produtos, e no ano passado depressa voltamos ao nível anterior de faturação”, remata o homem não espera pelos desafios e aposta na antecipação.

Perfil

Convidado para estagiar na empresa no final do curso de Engenharia de Produção Industrial (Universidade do Minho), ao fim de oito anos já ocupava a cadeira da administração, também já como accionista da Brito Knitting. Habituado nos seus passeios como motard – fez vários Portugal de Lés-a-Lés na sua BMW GS 1250 - às metas e percursos definidos, apontou aos caminhos da polivalência, flexibilidade e qualidade, com destino à meta de internacionalização da empresa. É com a mulher, Dulce, que tem dois filhos que agora lhe refreiam o impulso para a motos. Aos quatro anos, a Mafalda ainda é só mimos, mas o Diogo, 12 anos, já quer ser engenheiro. O pai faz figas para que não seja no têxtil, “uma área dura e de muito sofrimento”.

RESTAURANTE
Brito Knitting S.A.

Dois cafés e uma água mineral a olear a conversa que decorreu na sala de receção da empresa, uma vez que área de reuniões e administração estão fase de remodelação.

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