A pandemia e o ensino de Engenharia Têxtil
T61 - Fevereiro 2021

Luís Almeida

Professor Catedrático de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho e membro do Conselho Consultivo da ATP
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esde há um ano que a pandemia tem afetado muito significativamente toda a economia, e a indústria têxtil não é exceção. As limitações à circulação de pessoas, à venda de produtos não essenciais (como são classificados os têxteis), e o forte impacto na hotelaria tem-se traduzido na redução significativa das encomendas no setor têxtil, sobretudo vestuário e têxteis-lar (neste caso, uma maior permanência em casa veio mitigar um pouco essa redução).

Gostaria de abordar aqui um aspeto menos falado, mas que também pode afetar o futuro o nosso setor: as limitações que a pandemia veio impor no ensino de Engenharia Têxtil. As fortes restrições ao ensino presencial traduziram-se numa redução significativa das aulas laboratoriais e veio praticamente eliminar a possibilidade de realizar visitas de estudo. Assistiu-se desde março de 2020 a um forte incentivo para o uso de ferramentas de ensino à distância, mas o contacto com a realidade prática não pode ser substituído de forma eficaz por meios informáticos. Se é cada vez mais essencial que um Engenheiro seja capaz de dominar as ferramentas informáticas, cuja utilidade é inegável, a produção industrial faz-se com matérias primas, com máquinas e sobretudo com pessoas em ambiente industrial, e não em frente a um computador. A título de exemplo, as ferramentas CAD permitem conceber e visualizar artigos têxteis, mas não nos podemos vestir com roupa virtual. Esperemos por isso que em breve terminem as restrições e que as aulas práticas e as visitas de estudo possam ser retomadas na plenitude.

Uma boa notícia para terminar: segundo a Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência sobre a Empregabilidade dos Diplomados de 2015 a 2019, na Universidade do Minho a Engenharia Têxtil é dos poucos cursos com um índice de empregabilidade de 100%.

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