T62 - Março-Abril 2021
Corte & costura

Júlio Magalhães

Presencial é essencial
"Uma feira é sempre muito mais do que um stand, é troca de experiências com os pares e com quem nos visita"
T62 – Vasco Oliveira

"Estamos agora a apostar no alargamento para outros países europeus, mais objectivamente para o norte da Europa. Acreditamos que a nossa aposta na qualidade, com total respeito pelo ambiente, será valorizada pelos consumidores destes países", afirma Vasco Oliveira, sócio da Skulk

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omo é que a Skulk se está a preparar para a retoma que se anuncia ?

Na realidade, podemos considerar que somos uns felizardos, pois apesar do panorama caótico, as nossas vendas online dispararam, o que veio colmatar as perdas nos espaços físicos. Isto veio reforçar o nosso plano já em curso, de maior dinamização do online, procurando que o consumidor tenha uma experiência francamente positiva e se sinta parte integrante de uma comunidade. Estamos a investir na personalização da experiência, com rapidez nos procedimentos, e com total transparência para os bastidores da marca.

Continuam a acreditar na virtude da presença em feiras presenciais ou renderam-se incondicionalmente ao digital ?

Nós acreditamos que o futuro passará pela combinação dos dois canais. Uma feira é sempre muito mais do que um stand e as pessoas que nele conseguimos receber, existe todo o lado das relações humanas, trocas de experiências com os nossos pares e com quem nos visita. Para além de que no nosso sector, o toque é imprescíndivel e esse, o digital ainda não simula! Continuamos a achar imprescindível o contacto “real” entre os diferentes intervenientes e a encarar o digital como um complemento do qual não gostaríamos de abrir mão.

Considerando que a vossa vocação exportadora é maioritaria para que países já exportam mais e quais são as próximas apostas ?

Neste momento os nossos principais mercados são Espanha e Luxemburgo, onde temos uma  presença já se encontra bastante sólida. Estamos agora a apostar no alargamento para outros países europeus, mais objectivamente para o norte da Europa. Acreditamos que a nossa aposta na qualidade, com total respeito pelo ambiente, será valorizada pelos consumidores destes países.

A tendência da sustentabilidade veio para ficar? No vosso caso tem existido alguma preocupação especial?

Não consideramos a sustentabilidade como uma tendência mas sim uma obrigatoriedade. É perfeitamente possível uma marca seguir um caminho de total respeito pelo ambiente, mantendo a sua viabilidade económica. Todos os dias fazemos esforços neste sentido, desde a seleção de matérias primas até aos pequenos detalhes, como por exemplo a substituição das habituais ponteiras metálicas, pelo remate com linha. O nosso grande esforço está na utilização de materiais reciclados e aproveitamento de desperdícios de outros sectores, promovendo uma economia circular.

Concorda que a imagem da moda produzida em Portugal tem melhorado ao longo dos últimos anos?

Penso que qualidade sempre tivemos, mas neste momento e com a democratização do acesso a meios de comunicação, sem dúvida que existe uma evolução positiva na percepção das marcas e criadores nacionais pelo mercado internacional.

No entanto, ainda temos pela frente um caminho de muito trabalho mas que apesar de tudo, nunca nos pareceu tão promissor.

Perfil

Vasco Oliveira, 33 anos, sócio da Skulk, a marca de urban wear que aposta no conforto e sustentabilidade, Vasco adora o convívio fraterno das feiras, onde faz sempre boas amizades - “principalmente no Modtissimo, onde aparece gente jovem, empresas novas e ideias diferentes”. A par das brincadeiras com os filhotes – Inês, 8 anos, e Rodrigo, 3 – tem no Ténis e nas motos outras grandes motivações. É por entre a natureza que se sente como peixe na água, e a paixão motoqueira leva-o por esses caminhos.

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