Júlio Magalhães
A marca "Anabela Baldaque" nunca foi uma colecção para amigos. A marca cresceu porque a cultura de moda dos portugueses está a passar por vestir português. E sem grandes holofotes, Baldaque brilha e faz as mulheres ficarem mais elegantes e bonitas - garante a estilista
amoraste com Vizela e casaste com o Porto ou não há amor como o primeiro?
Sim, casei com o Porto – e voltava de novo a casar. Gosto muito desta alma que o Porto tem escondida, da criatividade espontânea que anda à solta.
Ter uma loja na Foz é como ter uma loja no Bairro Alto em Lisboa, ou a tua “onda” é diferente ?
Ter uma loja na Foz, já lá vão 15 anos, foi com a intenção de quem quer a marca ir á procura e descobrir além dos vestidos, descobrir um bairro e os cheiros únicos onde o mar se junta com o rio e se deteta sem misturas o que é um e o que é o outro. Abrir loja no Príncipe Real, em Lisboa, é também uma descoberta, temos de a procurar -só isso já é uma onda diferente não é? Sou uma rapariga discreta.
Quando uma estilista passa a desenhar para uma marca industrial, é como se perdesse a virgindade ou no mundo em que vivemos é a forma certa de trabalhar ?
Quando comecei, trabalhei na indústria e acho que devemos passar sempre por lá.
Os consumidores portugueses acham que os criadores já não fazem só roupa para os amigos, ou a Anabela Baldaque nunca foi uma coleção dessas ?
Na verdade a marca “Anabela Baldaque” nunca foi uma colecção para amigos. Os santos da casa não fazem milagres. A marca cresceu porque a cultura de moda dos portugueses está a passar por vestir português. E sem grandes holofotes, Baldaque brilha e faz as mulheres ficarem mais elegantes e bonitas.
Quando desfilaste a primeira colecção no Portugal Fashion pensaste: sou uma estrela ou meti-me em boa? Ou o quê ?
O meu primeiro desfile inserido no Portugal Fashion foi quando da vinda das top model, Claudia Schiffer, Elle Macperson, Helena Christensen e Carla Bruni. A minha situação foi mais “ou o quê?”…. só no dia seguinte acordei e fiquei histérica com todos os aplausos que recebi as criticas que os jornais me deram, o enorme destaque que a MTV me deu, Mas fiquei mesmo , o quê?… aquelas mulheres vestiram a minha roupa…Uau!
Sem raízes familiares no mundo dos têxteis , teria sido sempre estilista ou podias ser hoje uma bela engenheira civil ?
Seria sempre estilista. Hoje voltaria a ser estilista.
Fazes parte integrante da moda portuguesa ou não há uma “moda portuguesa “?
Sim, há uma moda portuguesa, sendo que a moda é global e a meu ver cada vez mais deveria ser individual 🙂
Designer de moda nasceu em Vizela, mas vive no Porto desde a sua infância. Tirou o curso de Estilismo e Modelismo na Gudi, em 1983, quando existiam apenas duas escolas de moda. Para aprender mais teve de ir até Paris, onde o seu empenho lhe valeu em estágio em Florença com Emilio Pucci. Adora andar descalça, brincar com o neto Pedro, receber flores e rir!