Uma enfermeira contaminada pelo têxtil
"Tenho sido agradavelmente surpreendida, sinto-me muito desafiada”, conta Maria Gomes
T64 – Maria Gomes
T64 - Julho/Agosto 2021
Emergente

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Criação da Normal ou Not
É uma marca que quer responder a uma lacuna do mercado com peças dirigidas a mulheres de todos os tamanhos

Ser diretora comercial da Fábrica de Malhas Tiva, uma empresa de confeção em private label fundada pelo avó paterno em 1973, não era o plano A de Maria Gomes. A veia humana e o gosto por tratar dos outros levaram a jovem comercial a optar por Enfermagem, área que exerceu. Mas nem só de vontade de cuidar dos outros se alimenta o coração de Maria Gomes

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a família há quem diga que já nasceu a falar, tal é a sua vontade de comunicar e de ajudar os outros desde pequenina. Maria Gomes, 32 anos é diretora comercial da Fábrica de Malhas Tiva, uma empresa de confecção em private label fundada pelo avó paterno em 1973, e também co-responsável pela marca de moda feminina Normal or Not, que criou em 2019 juntamente com a irmã Joana. Criada em ambiente têxtil, este não foi, no entanto, o seu plano A, se bem que as suas memórias de infância remetam sempre para os dias e noites em que corria com a irmã por entre os rolos de malha enquanto os pais trabalhavam.

“Sou uma pessoa muito humana e gosto de tratar dos outros. Quando era pequenina queria ir dar roupa aos meninos que tinham frio e lembro-me de dar o meu lanche no colégio”, revela a jovem comercial que sonhou ser médica. A média trocou-lhe as voltas, mas depois de ter feito todo o percurso escolar entre Barcelos (onde fica a fábrica) e Braga (onde vive desde os oito anos), opta por Enfermagem, na Universidade do Porto. 

“Adorei o curso, foi incrível” conta Maria Gomes, que após as férias de 2013 decide candidatar-se a uma vaga para enfermagem em Inglaterra. Esteve quatro anos no serviço de cirurgia e bloco operatório num hospital em Southampton.

A experiência foi “intensa e de enormes aprendizagens”, mas como nem só da vontade de cuidar os outros se alimenta o coração de Maria Gomes, o regresso foi inevitável. Tinha deixado em Portugal deixado o namorado de tida a vida toda – “conhecemo-nos no colégio e começamos a namorar com 16 anos” – e voltou para casar.

Deixa Inglaterra e regressa a Portugal para juntar os trapinhos com o seu “Quinzinho” numa altura em que por cá “toda a gente me dizia muito mal da profissão”. É depois de uma ou outra entrevista na área da enfermagem que conclui estar na altura de mudar o rumo da sua vida profissional. A enfermeira deixa-se contaminar pelo têxtil e junta-se aos seus pais na fábrica fundada pelo avô paterno.

“Tinha essa escapatória e agarrei-me a ela. Tenho sido agradavelmente surpreendida, sinto-me muito desafiada”, conta a agora diretora comercial. “Quando vim para cá em 2017 fazia um pouco de tudo e foi assim que aprendi. Somos fortemente internacionais, os nossos principais mercados são Inglaterra, França, Bélgica, Holanda e temos também alguns clientes nos Estados Unidos”, prossegue, destacando o contacto com os clientes como a parte mais interessante do seu trabalho.

Para além das funções na empresa, desde Abril de 2019 partilha com a sua irmã Joana a mentoria e criação da marca de moda feminina Normal or Not. “É uma marca que quer responder a uma lacuna do mercado com peças dirigidas a mulheres de todos os tamanhos”, descreve a enfermeira que se deixou contaminar pelo têxtil e moda.

Cartão Do cidadão

Família Vive com o marido, António Joaquim (Quinzinho, para ela) e o filho António, de 10 meses Formação Licenciada em Enfermagem pela Universidade do Porto Casa Apartamento em Braga Carro Mercedes Classe E (“tive que vender a custo o querido mini cooper que me ofereceram aos 18 anos”) Hobbie Andar de bicicleta em família e fazer ski aquático Portátil MacBook Pro Telemóvel iPhone X Férias  Vai desde que tem três meses para o Algarve, mas já percorreu o mundo. Regra de ouro “Tratar os outros como gosto que me tratem a mim”

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