06 maio 19
Lanifícios

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Paulo de Oliveira cresce 7% no 1º trimestre

Apesar da incerteza ser a marca de água da conjuntura atual, as vendas da Paulo de Oliveira aumentaram 7% no primeiro trimestre, surpreendendo a gestão de um dos três maiores grupos de lanifícios da Europa, que perspectivava tempos difíceis após uma fase de vultuosos investimentos e de crescimento a dois dígitos.   

“No final do ano passado sentimos um abrandamento, que nos aconselhava prudência nas perspectivas para 2019. Adequamo-nos aos sinais que fomos lendo. Mas os primeiros meses deste ano correram melhor do que nós pensávamos”, reconhece Luís Miguel Oliveira (na foto), 54 anos, o administrador responsável pela produção da Paulo de Oliveira, feliz por estar enganado, “pelo menos por enquanto”.

O grupo conclui em 2018 um quinquénio em que investiu cerca de 20 milhões de euros, melhorando a sua eficiência energética e competitvidade, renovando o parque de máquinas (designadamente as secções de tecelagem, totalmente renovada, e de acabamentos) por forma a aumentar a flexibilidade e velocidade de resposta.

“Nos últimos anos investimos muito, porque houve uma alteração estrutural no nosso modelo de negócio. Investimos em máquinas que nos permitem produzir séries mais pequenas de produtos, com mais qualidade e costumizados, bem como melhorar o serviço que prestamos aos clientes”, resume Luís Oliveira, que trabalha na empresa fundada pelo avô desde que terminou o curso de Gestão na Católica (Lisboa).   

Antes da crise de 2005,  em que viu três dos cinco melhores clientes fugirem para a Ásia, a Paulo de Oliveira estava vocacionada para o produto médio e volumes grandes. Foi obrigada a alterar o modelo de negócio e subir na cadeia de valor para fazer às mudanças no comércio internacional derivadas da adesão da China à OMC.

“Sentimos a necessidade de alterar o tipo de produto e o tipo de clientes a que nos dirigíamos”, recorda o administrador de um grupo onde a flexibilidade passou a ser o alfa e ómega da sua estratégia.

Este ano, o ritmo frenético do programa de investimentos vai abrandar um pouco. Para 2019, está previsto um investimento superior a um milhão de euros, na renovação de equipamentos na tinturaria e muito provavelmente na secção de acabamentos, com a aquisição de máquinas que permitam à empresa concretizar algumas ideias novas.

“Qualidade, flexibilidade e sustentabilidade são os três pilares onde assenta a nossa atividade”, conclui Luís Miguel Oliveira, administrador do grupo Paulo de Oliveira, que fechou 2018 com um volume de negócios de 80 milhões de euros, tem o seu centro da gravidade em Boidobra, Covilhã, e integra duas outras empresas industriais  (Penteadora e Tessimax) e onde trabalham 1 200 pessoas.

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