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“Quando começámos o projeto de recuperar o tecido burel, para criar produtos inovadores – tapetes, almofadas, fundos de cama, mochilas, revestimentos de paredes, etc -, achamos que deveríamos testá-lo no Japão, por ser um mercado muito exigente e rigoroso”, explica Isabel Costa, a CEO e fundadora da Burel Factory.
A Burel Factory é uma das oito empresas portuguesas que viajaram até Tóquio para apresentar os seus produtos na Jitac European Textile Fair, a feira japonesa de tecidos dedicada aos produtos europeus que abriu hoje no Tokyo International Fórum.
«Foi aqui que crescemos”, acrescenta Isabel, 49 anos, que desde que iniciou o projeto Burel já foi ao Japão mais de uma dúzia de vezes, não só para expor os seus produtos na Jitac ou na Interior Lifestyle, mas também para fazer apresentações, em gabinetes de arquitectura, das valências e características do seu produto – ou palestras em escolas onde transmite a sua experiência de mudança de vida e de interação com uma comunidade, no sentido de valorizar os recursos locais para criar emprego e riqueza, numa região como a da Serra da Estrela, seriamente afectada pelo encerramento em série de fábricas de lanifícios.
Engenheira alimentar, Isabel Costa trabalhou durante 20 anos na distribuição, até que no início desta década trocou um lugar na administração da Sonae Distribuição por dois projetos empresariais na região de Manteigas – entre os quais o recuperar, valorizar e reinventar o burel, um tecido tradicional usado pelos pastores e populações desde o início da nacionalidade.
Atém de mercado teste, o Japão foi até este ano o principal destino das exportações da Burel Factory, sendo responsável por 20% das suas vendas, tendo sido apenas este ano ultrapassado pelo mercado norte-americano.
Burel Factory, Eurobotónia, Lemar, Tintex Textiles e Texser são as cinco empresas que viajaram até Tóquio, com o apoio da Selectiva Moda, e que têm na Jitac a companhia de outras três têxteis portuguesas: Riopele, Somelos Tecidos e Troficolor Denim Makers.