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A deslocação de encomendas do setor têxtil e do vestuário até agora dirigidas às empresas chinesas está a pressionar os preços em alta e a dificultar a gestão das margens por parte da indústria. No caso da Turquia, o repentino da procura está a levar a um aumento dos preços e os gigantes do retalho já estão a preparar-se para um corte nas margens em 2020. “Há um colapso da capacidade: aqueles que já estavam na Turquia têm espaço garantido, mas aqueles que estão a ir para lá agora pagam mais”, diz um executivo do setor citado pelo jornal espanhol Modaes.
A situação repete-se em Marrocos e na Tunísia, mas a Turquia é o mercado de refúgio mais procurado pelos clientes que até agora estavam indexados ao mercado chinês – e o aumento da procura levou a um consequente aumento dos preços, patrocinado pela cada vez mais óbvia dificuldade de obter fornecimentos em vários planos da cadeia de valor.
O impacto deste aumento de preços é cada vez mais notório, especialmente no que tem a ver com a temporada outono-inverno de 2020. Além da proximidade com o mercado consumidor europeu, uma das vantagens da Turquia como centro de fornecimento para o setor de moda é o desenvolvimento de toda a cadeia de valor no território, desde as matérias-primas (a Turquia é a sétima produtor mundial de algodão) até ao vestuário.
Atualmente, a Turquia é o sexto maior exportador de têxteis do mundo, com 3,1% do total mundial, num ranking liderado pela China (mais de 37% das exportações totais de têxteis e 31% do vestuário) e a que se seguem a União Europeia, Bangladesh, Vietname e Índia.
C&A, H&M, Inditex e Gap são algumas das empresas internacionais do setor que mais usam a Turquia como país fornecedor. A indústria têxtil da Turquia é composta por 89.085 empresas especializadas em têxteis, vestuário, couro e calçados e emprega cerca de 13 milhões de pessoas, segundo dados oficiais.