12 Abril 22
Energia

Mariana D'Orey

“Apoios podem ajudar a manter os clientes mais fiéis”

Travar a fuga de encomendas para a Ásia, Índia ou Paquistão dos clientes mais fieis a Portugal e à Europa poder ser o efeito dos apoios anunciados pelo governo face aos custos da energia. Podem ajudar a manter os clientes mais fiéis, diz o Diretor Executivo da TMG.

Embora reserve ainda uma opinião definitiva para depois de conhecidos os mecanismos de atribuição, Manuel Gonçalves considera que as medidas podem ter algum efeito positivo. “Estes apoios podem ajudar a manter os clientes fiéis a Portugal e à Europa. Há um risco grande da Europa, caso estes custos se mantenham por um período mais alargado, perder os seus clientes que poderão deslocalizar as suas produções para a Ásia para países como a Índia ou o Paquistão com um custo irreversível para toda a indústria europeia”, considera.

Peso pesado da têxtil nacional, a TMG chegou mesmo a ponderar em março encerrar temporariamente a fábrica de acabamentos têxteis, grande consumidora de gás e de energia de uma forma geral. “Nessa altura estávamos a falar de faturas dez vezes maiores: ou seja uma fatura de 250 mil passar para 2,5 milhões de euros”, explica.

Um custo que se torna incomportável para as empresas e que é impossível fazer repercutir na relação com os clientes. Conseguimos repercutir parte deste aumento nos nossos clientes mas obviamente que essa opção nos tiraria competitividade”, explica.

“É incomportável e mesmo que fizéssemos repercutir parte desse aumento nos nossos clientes obviamente que essa opção nos tiraria competitividade. O problema é que, mesmo estando nós à procura de alternativas energéticas elas demoram e não são tão simples como se possa pensar”, pelo que nesta altura os apoios são decisivos.

Recorde-se que de acordo com as medidas anunciadas, as empresas com uso intensivo de energia terão uma subvenção com dotação de 160 milhões de euros – sendo que o Governo considera elegíveis aquelas que gastam mais de 2% do volume de negócios em energia. Além disso, o Governo anunciou uma redução das tarifas elétricas para empresas eletrointensivas.

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