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A intervenção social exigida às empresas, as transformações decorrentes da pandemia e os caminho futuros para o setor foram as linhas exploradas na apresentação de Daniel Agis no Simpósio Têxtil. Sob o mote ‘Macrotendências para a indústria têxtil e da moda numa era pós-covid’, o brand building expert sublinhou o atual acento colocado na ética, inclusão e sustentabilidade, bem como no facto de os negócios não estarem desligados do comportamento humano: “assumir uma posição ativista ou de rotura é hoje em dia mais eficiente do que um design diferente”. As marcas devem igualmente “apostar no desenvolvimento de narrativas fortes, sociais e estéticas”, acrescenta.
Relativamente às transformações que a pandemia veio trazer ao sector Agis destaca: “o decréscimo do consumo, de forma acentuada mas não homogénea” – dando o exemplo português e espanhol onde o retail perdeu 30% sendo que a Polónia registou apenas uma quebra na ordem dos 10%; “uma brusca polarização económica” relacionada com o poder de compra e a centralização do comércio nas plataformas digitais. O desenvolver de projetos na área do retalho aponta ainda para um “impacto seletivo nos hábitos de compra”, dado que a quebra de produtos low profile foi menor do que os produtos de high fashion.
O futuro também foi analisado nesta apresentação, sendo apontados pelo investigador os seguintes cenários: confecção de séries cada vez mais curtas, aumento exponencial da concorrência, aceleração da implementação tecnológica, crescimento de uma moda eco-friendly, criativa, científica, competitiva, não deixando de ser mainstream; colocando uma tónica especial sobre a sustentabilidade ter de ser economicamente sustentável: “devem ser produtos que possam ser absorvidos economicamente pelo mercado, uma vez que o preço continua a ser um dos fatores principais”.
A hibridização dos espaços físicos foi outro conceito introduzido por Daniel Agis, que preconiza uma mudança do papel dos espaços físicos, uma redução dos pontos de venda – em cerca de 30% – e uma aposta em Department Stores, espaços comerciais cada vez maiores, que vendem não só vestuário mas também recebem músicos e dão a conhecer outros produtos que comuniquem a identidade da marca principal.
A fechar a apresentação , Daniel Agis alertou para a importância da cooperação entre a indústria, Uma vez que Portugal não tem uma intervenção forte por parte do Estado, deve, por isso, desenvolver projetos conjuntos, investigação partilhada, adquirir serviços de alto nível para aceder a determinados recursos técnicos mais dispendiosos.