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Foi um aviso, sério, deixado ao Governo pelo presidente da ATP: É urgente que atenda à questão dos custos galopantes de energia, que pondere as tentativas de rigidificar ainda mais as leis laborais, e que avance com as medidas apontadas pela Estrutura de Missão para a Capitalização das empresas.
No habitual “Discurso do Estado do Sector”, Mário Jorge Machado reconheceu, por outro lado, “o trabalho do Governo e as medidas de emergência que tomou durante a pandemia para não deixar colapsar a economia nacional”, destacando as moratórias dos empréstimos e das rendas e o lay-off simplificado, não deixando de notar que, mesmo assim, o país ficou na cauda da Europa. “Só mesmo a Turquia gastou uma percentagem menor que Portugal nas medidas de combate e apoio na pandemia”, frisou.
Quanto ao futuro, a meta é que “a fileira têxtil conserve a sua relevância mas melhore substancialmente o seu desempenho qualitativo”. Isto “passa necessariamente por investimentos intensivos em biomateriais”, que apontou como o passo seguinte na afirmação de inovação tecnológica que já é marca do sector à escala global, apontando ao mesmo tempo para a automatização de atividades ainda muito dependentes de mão-de-obra intensiva.
Desafios que constituem a tónica para os anos que se avizinham, mas para os quais “nem todos estarão à altura de responder à sua exigência”. É por isso que, a par da preocupação com que olha eventuais mexidas nas leis laborais – o que leva a menos iniciativas para promover o emprego e, consequentemente, aumento do desemprego -, a ATP desaprova igualmente “a recorrente preferência dos investimentos do Estado no próprio Estado”, apontando em concreto para “o caso recente do PRR”.
Mais preocupante ainda é o facto de o Plano Estratégico para a década “estar presentemente a ser negociado com Bruxelas sem qualquer envolvimento dos parceiros sociais”, quando deveria entrar em vigor este ano “de maneira a que coincidisse a disponibilização de amplos recursos financeiros com a mudança de paradigma sectorial”.
Mário Jorge Machado dirigia-se directamente o Ministro da Economia, que classificou como “o provedor das empresas junto do Governo”, chamando a atenção para o facto de “o tempo da economia real e o tempo do Governo nunca andarem coincidentes”. E essa sincronização “é indispensável para que as consequências da crise que vamos viver possam ser substancialmente mitigadas”, concluiu o presidente da ATP.