T53 - Maio 20
Empresa

À frente do tempo, na Europa e no Mundo

Andar à frente do tempo parece ser a estrela de Pedro Costa, que ainda antes de a pandemia ter colocado a Europa – e o mundo – perante os riscos da dependência da China em produtos essenciais, já tinha avançado com o projecto Nitro na Raclac. Um investimento pesado – vai nos 23 milhões de euros - pensado para andar um passo à frente naquilo que fazem os concorrentes chineses e fornecer à Europa e ao mundo luvas descartáveis

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Foi um sonho? “Quando sonho, já está concretizado”, brinca o fundador e CEO da Raclac, para mostrar que a iniciativa empresarial não se pode guiar por realidades imaginárias nem pela ilusão do momento. “São coisas longamente pensadas, apoiadas em estudos profundos, cálculos, planos e análises de risco”, enumera, para explicar a decisão de avançar com o projeto Nitro. O nome decorre das primeiras luvas em nitrilo não estéreis, que são agora fabricadas na Europa e com um conceito produtivo e de qualidade inovador e único no mundo.

“Um projecto integral, pensado e concretizado antes da Civid-19 para fazer cá o que vinha da Ásia. Sempre acreditei na reindustrialização da Europa”, assegura o empresário que há cinco anos avançou para a construção das novas naves da unidade fabril de Famalicão. Não só para poder competir pelo preço com os seus fornecedores chineses, mas também para poder oferecer ao mundo um produto de maior qualidade e com absoluta garantia de segurança.

Uma linha de produção 100% automatizada com capacidade de fabrico de 1.600 luvas por minuto, à qual ainda este ano se deve juntar a segunda e com uma terceira linha a entrar em funcionamento até ao final de 2021. Ou seja, dentro de ano e meio a Raclac estará em condições de produzir 4.800 luvas a cada minuto, o que suporta as previsões de crescimento explosivo da facturação, dos 12,5 milhões de euros do ano passado para mais de 60 milhões no espaço de dois anos.

“Uma tecnologia que é única no mundo e permite um circuito de produção em ambiente contacless e sem bactérias. Incluindo a embalagem, o que faz com que as luvas cheguem até ao utilizador em ambiente inerte, sem qualquer contacto ou bactérias e fornecidas nnuma embalagem em que são retiradas uma a uma e pelo punho. Ou seja o primeiro contacto é o do médico ou profissional de saúde que a vai utilizar”, enfatiza Pedro Costa.

O orgulho do empresário é ainda maior quando explica que “todo o processo implicou a conceção de 22 diferentes tecnologias, uma delas desenvolvida internamente na empresa”. Quanto à qualidade: “o controlo incide sobre todas e cada uma das unidades – não é por amostragem – e é capaz de detetar até nanofuros”, outra inovação que o empresário se orgulha de andar muito à frente daquilo que é a produção asiática.

Era já à frente no tempo que Pedro Costa pensava quando ainda se dedicava ao negócio de imobiliário da família e “imaginava ser fabricante legal de dispositivos médicos”. Assim o pensou, estudou, preparou e analisou, criando as marcas próprias que fornecem os mais variados dispositivos e equipamento de protecção que fabrica com uma rede de 75 empresas que a Raclac tem certificadas para o efeito. É com 25 delas que trabalha com maior assiduidade.

Entretanto, e como a estrela o empurra para à frente no tempo, diz ter já em execução um outro projecto absolutamente inovador e disruptivo à escala mundial para o fabrico de equipamentos de protecção. “Já é mais que uma ideia, está em andamento, ms a seu tempo se verá”, reserva.

A Empresa

Raclac
Rua de Ribela 600
4770-170 Cruz – VN Famalicão

O que faz? Fabrico e comercialização de produtos descartáveis para a área da saúde, indústria e estética Volume negócios Dos12,5 milhões facturados em 2019, quer saltar este ano para os 50 milhões Principais clientes Sistema de saúde/hospitalar e assistencial, público e privado Marcas próprias Rubbergold, Nexderma e Selecare Aposta estratégica Abastecer a Europa, EUA, Canadá e Japão, sem nunca esquecer o mercado nacional Trabalhadores 55

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