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Profundo conhecedor dos mecanismos que envolvem os fundos comunitários e com uma carreira alicerçada na eficácia da sua transposição para o terreno, Nelson Souza, o novo ministro do Planeamento, eleva assim os mecanismos de apoio à economia real a um novo patamar: o da independência.
A gestão desses fundos deixa agora de estar dependente de outras áreas (Economia, Ambiente, Agricultura e mesmo Finanças), ganhando, no novo quadro organizacional do Governo, uma autonomia que se impunha como forma de acrescentar rapidez, eficácia e indução de crescimento à utilização do financiamento comunitário.
Será com certeza essa uma das prioridades de Nelson de Souza enquanto ministro, como já o eram em abril de 2018, quando, ainda como secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, deu uma extensa entrevista ao T Jornal (capa do número 31). Reindustrialização, aumento da capacidade instalada e aposta na exportação de bens transacionáveis são a estratégia: “quando falamos de valor acrescentado, de qualificações de atividades de futuro, a indústria é incontornável”, disse na altura.
E, neste quadro, a ITV não podia deixar de estar presente: “incorporando não apenas tecnologia, mas também criatividade, moda, o imaterial e recursos humanos qualificados”, o setor soube encontrar um caminho que, “para quem conheceu o percurso, acaba por não ser uma grande surpresa”.
Já na altura, Nelson de Souza tinha um caminho definido: “qualquer estratégia, medida ou projeto prossegue um objetivo ou uma política e é executado num território, sendo por ele influenciado, ou, no caso de iniciativas estruturantes, influencia o espaço em que é concretizado. Perceber bem esta interdependência ajuda-nos a definir políticas setoriais que beneficiem políticas territoriais articuladas e, no sentido inverso, concertar políticas territoriais com as agendas temáticas mais horizontais”. Um verdadeiro ‘statment’ político explanado no T Jornal e que pode enformar as diretrizes essenciais do no ministro do Planeamento.
Esta solução inédita – a de isolar os fundos fora da ‘vizinhança’ de outras atividades económicas – representa de alguma forma uma aposta numa área que, a breve trecho, será fundamental: quando o Portugal 2030 estiver a ser delineado. E esse tempo já chegou: “desde junho do ano passado que andamos a falar com toda a gente. Associações, universidades, economia social, terceiro setor, entidades da administração pública… Já temos documentos simples produzidos. (…) Acho que será relativamente fácil um consenso alargado na sociedade portuguesa quanto àquilo que há para fazer”.
Por maioria de razão, a passagem de Nelson de Souza de secretário de Estado a ministro fará por certo aumentar as suas possibilidades de transformar os fundos comunitários no esteio de mais um período de forte desenvolvimento da indústria nacional.