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As portas abriram pelas 10 horas da manhã, mas há muito que o frenesim da abertura da 52ª edição do Modtissimo já tinha tomado de assalto o extenso passeio em frente ao monumental edifício da Alfândega do Porto. “Há uma forte expectativa sobre a feira”, admitia pouco depois Manuel Serrão, diretor da Selectiva Moda, a entidade organizadora do Modtissimo.
É assim todos os anos: as muitas centenas de expositores, compradores e ‘olheiros’ do setor têxtil e vestuário espalharam-se rapidamente pelos corredores – chegados dos mais diversos pontos do globo. Thaer Mikkawi era apenas um deles, mas chegou ao Porto vindo de um lugar improvável: a Palestina – onde, disse, fazer negócios é tudo menos fácil.
Logo à entrada da Alfândega, fica o primeiro ‘check point’ do ‘road map’ essencial do Modtissimo deste ano: o espaço Green Circle, que, para Manuel Serrão, é imprescindível: é ali que estão concentradas as matérias-primas do futuro. Ou, dito de outra forma, dali emana a sustentabilidade da indústria, opção essencial que cada vez faz mais definitivamente parte do léxico do setor.
Num ambiente que forçosamente junta a festa ao negócio, o setor encara com acentuada expectativa a presença do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, que estará no Modtissimo pela primeira vez – apesar de já ser costumeiro em certames no estrangeiro. Para Manuel Serrão, isso é prova de que a ITV está no radar do governo como um dos setores que importa colocar na primeira fila do desenvolvimento económico.
Entre outras razões porque – num quadro em que as exportações estão aparentemente a entrar numa fase de retração – a ITV é dos setores que se encontra em contraciclo, precisamente batendo recordes sobre recordes.
O diretor da Seletiva Moda não quis deixar de salientar que um dos lados mais sintomáticos desses números é precisamente aquele que mostra que as exportações do setor são qualitativamente muito mais importantes que há alguns anos atrás. A razão é simples: as exportações da ITV têm atualmente um valor-acrescentado sem paralelo na história da indústria. E isso faz toda a diferença no que tem a ver com a riqueza gerada no interior do território.
Entretanto, às portas da Alfândega continuam a chegar dezenas de ‘consumidores’ da ITV portuguesa, mesmo que, como não deixou de salientar Manuel Serrão, os táxis estejam todos parados e sem grande préstimo numa artéria qualquer da cidade.