Ana Rodrigues
Após nove anos, a aliança da Adidas com Kanye West chega ao fim, tendo sido estabelecido um acordo entre a empresa e o rapper que permite liquidar o stock através da sua venda sem referência à marca da parceria. Segundo a Adidas o stock está avaliado em cerca de 500 milhões de dólares.
Desde o início do mês de fevereiro, a empresa alemã estava a rever as opções futuras para o uso do stock Yeezy e, ainda que não esteja confirmado, o acordo inclui a comercialização de alguns modelos de sapatilhas da marca, mas não de roupa e acessórios. O fim da parceria deu-se quando Kanye West decidiu começar a emitir publicamente opiniões políticas em que a marca alemã não se revia – nomeadamente pelo seu caráter racista e de ódio social.
As previsões da Adidas para o ano de 2023 incorporam já o facto de estes produtos não terem sido comercializados, podendo causar um impacto negativo de 1.200 milhões de euros nos proveitos da empresa, além de uma redução de 500 milhões de euros no seu lucro operacional.
O fim desta colaboração, fundamental no posicionamento da Adidas nos Estados Unidos da América, levou a empresa a rever e a baixar por diversas vezes as suas projeções para o ano fiscal em curso. O grupo encerrou os primeiros nove meses do exercício de 2022 (encerrado em 30 de setembro) com crescimento ano-a-ano de 7,5% nas vendas, mas reduziu o resultado líquido em 40,8%.
“Vamos trabalhar para criar relevância da marca e melhorar o nosso produto. Temos que juntar as peças, mas estou convencido de que a Adidas vai brilhar novamente, só precisamos de tempo”, disse Bjørn Gulden, CEO da Adidas, na apresentação dos resultados do grupo. Em 2023, o grupo prevê que o seu volume de negócios seja reduzido até 9%.