A Jomafil há mais de 45 anos que recicla desperdícios de têxteis na sua fábrica na Covilhã. Os desperdícios começaram a ser transformados em fibras substandard. E hoje produz material de isolamento destinado à construção civil e indústria automóvel.
Jorge Fiel
As calças com boca de sino e o look hippie estavam na moda em 1970, o ano em que os Beatles se separaram e Salazar morreu. O que ainda estava muito longe de estar na moda eram os negócios verdes. Foi preciso esperar pela chegada do século XXI para a sustentabilidade se transformar num mantra. O que só valoriza a visão que Fernando Madeira teve ao criar, há 45 anos, na Covilhã, a Jomafil, uma fábrica nascida para reciclar os desperdícios da têxtil, em particular da indústria de lanifícios, cujo coração batia pujante ali na serra que é o teto de Portugal.
Jomafil corresponde a José Madeira & Filhos, mas a presença do nome de José – pai de Fernando e avô de Nuno – na razão social da empresa é uma homenagem prestada pelo filho, já que o negócio dele era uma mercearia.
Naqueles tempos em que não havia auto-estradas e demorava umas boas oito horas a ir de carro até S. João da Madeira para visitar os clientes, Fernando dedicava-se ao comércio de fibras de têxteis (após ter entrado precocemente no mercado de trabalho dando uma mão na mercearia do pai) quando teve o Eureka de usar como matéria prima o que para o resto da indústria não passava de resíduos para deitar ao lixo, numa época em que tudo escasseava.
Os desperdícios dos outros começaram a ser transformados em fibras substandard, sendo que cinco anos volvidos sobre a sua fundação, a Jomafil já tinha uma linha de tecido não tecido para a produção de pastas de enchimento para colchões.
Na viragem do século, a família Madeira investiu 1,5 milhões de euros numa segunda linha que produz material de isolamento fundamentalmente destinado à construção civil e indústria automóvel.
A colchoaria representa 60% dos três milhões de euros do volume de negócios da empresa, sendo que os restantes 40% se dividem em parte iguais pela venda de fibras e a indústria automóvel – onde constam da sua carteira de clientes fornecedores da BMW, Renault, Ford e Ligier.
Há cerca de 20 anos, Fernando viu a gestão da empresa reforçada com ao desembarque do seu filho Nuno, que regressou à Covilhã e ingressou na Jomafil, após se ter licenciado Gestão de Empresas, na Autónoma de Lisboa, e ter feito uma curta experiência como professor.
Ao longo dos últimos dois anos, a Jomafil desenvolveu um programa de investimentos de 2,5 milhões de euros, com o objetivo de aumentar a sua competitividade, fundamental numa empresa com uma forte componente tecnológica, em que os custos energéticos superam os salariais. “Se não tivéssemos feito este investimento, perderíamos a competitividade”, explicou Nuno Madeira, 46 anos, gestor da 2ª geração da líder peninsular na produção de feltros.
Jomafil
Sítio da Cruzinha
6200-811 Vales do Rio, Covilhã
Atividade Reciclagem têxtil e fabrico de feltros industriais Faturação 3 milhões de euros (30% exportação) Maiores mercados Portugal, França e Espanha Trabalhadores 26 Principais clientes Industrias de descanso, construção civil e setor automóvel ( BMW, Ford e Renault)