Rui Zink

As camisas do meu pai

O meu pai tinha muito bom gosto para roupa. Tradução: eu achava que ele tinha bom gosto para roupa. Tradução da tradução: tínhamos o mesmo gosto para roupa. E, curiosamente, o mesmo corpo. Quer dizer, não exactamente o mesmo corpo – ele tinha o dele e eu o meu – mas corpos com o mesmo formato. É preciso dizer mais? As camisas dele caiam-me que nem uma maravilha! Já os casacos, só de quando em quando. A partir de certa altura (digo isto com vergonha) passaram a ficar-me curtos nos braços e estreitos na barriga. Mas não muito.
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