22 outubro 19
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Têxteis técnicos: “A maior parte ainda está por inventar”

O potencial de desenvolvimento dos têxteis técnicos dificilmente podia ficar evidente: “a maior parte deles ainda nem sequer foi inventada”, disse Michael Jaenecke na primeira sessão de trabalho desta terça-feira na conferência da ITMF. Para o diretor da Messe Frankfurt, tanto a investigação e desenvolvimento como as empresas perceberam esse potencial e estão a enfrentar esses desafios.

E estes são de diversa ordem. Desde logo porque esse potencial obriga a um nível de investimento muito elevado, só possível se a indústria e os centros de I&D souberem dirigir-se para uma mesma finalidade sem desperdício de recursos. Mas, disse ainda Michael Jaenecke, é importante que, apesar dessa convergência, indústria e fontes de investigação mantenham a sua independência, como forma de o fruto dessa investigação ser transversalmente importante para todo o setor.

Fonte primária desse investimento, a economia e os desafios que se lhe colocam globalmente – o mundo está a entrar num período de menor crescimento, segundo todas as perspetivas – podem ser um entrave à I&D, afirmou Jaenecke. Como também o é o facto de haver diferentes estádios de desenvolvimento da investigação – o que pode querer dizer que o conhecimento não está a circular de forma natural.

Para  o diretor da Messe Frankfurt, há países onde os têxteis técnicos têm mais potencial de crescimento que noutros – sendo que a sua geografia coincide, como não podia deixar de ser, com a geografia dos países com mais forte crescimento.

A China está no topo da lista: “entre 2013 e 2020, o volume de compras de têxteis técnicos crescerá mais de 100%”, referiu, para afirmar que não há nenhuma indústria desenvolvida que possa dar-se ao luxo de passar ao lado deste poderoso mercado.

Também a Índia deverá consumir em 2023 à volta de 32 biliões de dólares em têxteis técnicos, sendo que até lá terá criado 8 centros de excelência a par de um forte investimento governamental no setor. Segundo as estimativas de Jaenecke, os Estados Unidos e Rússia fazem igualmente parte do itinerário dos têxteis técnicos.

Mas Michael Jaenecke não deixou de referir que a Alemanha está (ou pretende estar) à frente no que se refere à resposta a todo este potencial. Só no que tem a ver com os têxteis técnicos, há cerca de 350 empresas a trabalhar – que agregam mais de 30 mil postos de trabalho e geram cerca de nove mil milhões de euros de vendas. Exportam cerca de 52% da produção e as suas margens estão acima dos 50%. SE deixou um alerta: sendo Portugal uma das partes interessadas na matéria, tem todo o interesse em conhecer a concorrência em profundidade.

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