Maria Monteiro
O Portugal Fashion tem vindo a fomentar uma cultura de moda e operou uma mudança de paradigma no que respeita ao sector têxtil e de vestuário nacional, através de uma estratégia concertada de aproximação entre indústria e criadores. O penúltimo dia do evento moda ficou marcado por essa aproximação com o desfile do iTechStyle Green Circle, que pretendeu dar a conhecer as potencialidades das empresas portuguesas na área da sustentabilidade.
Desta vez, o Green Circle, uma iniciativa liderada pelo CITEVE em parceria com a ASM, não foi uma exposição estática em manequins, mas sim com modelos verdadeiros que vestiram peças, algumas delas “feitas com materiais que por norma são usados na confeção de têxteis-lar, como edredons”. Braz Costa, diretor-geral do CITEVE, em conversa com o T Jornal após a estreia do desfile, relembrou o propósito deste projeto: “o objetivo é muito claro. Em primeiro lugar, transmitir em Portugal esta informação de que com materiais sustentáveis é possível fazer moda. Logo depois de atingir este objetivo, nós decidimos que estamos em condições de levar para os mercados internacionais e dizer: Portugal é um país de origem de moda sustentável”.
“Não estamos a falar estritamente de um desfile de moda, mas sim de um desfile moda que pretende passar uma mensagem”. Nesse contexto, disse Braz Costa, “temos de encontrar uma forma criativa de atender a estas duas expectativas, tem de ser de facto um desfile de moda, mas tem de ser um desfile que tenha essa capacidade de comunicar a capacidade portuguesa de produzir moda sustentável. E, por isso, achamos que o Portugal Fashion é um canal interessante até para chegar a determinadas camadas ou especialidades da sociedade portuguesa. Esta ideia de que a sustentabilidade não é inimiga da moda pelo contrário é algo que devidamente articulado é o futuro”.
Para além dos desfiles apoiados pelo programa CANEX, de Dina Shaker e Mantsho, o calendário do dia 13, sexta-feira, no Museu do Carro Eléctrico trouxe à passerelle grandes nomes da moda portuguesa: Alexandra Moura, David Catalán, Estelita Mendonça, Luís Onofre e Miguel Vieira.
Foi com o jovem Estelita Mendonça, que apresentou uma coleção inspirada no nomadismo do futuro, que o T Jornal teve oportunidade de conversar: “A partir do momento que tentamos trabalhar de forma quase dadaísta somos sustentáveis quase por consequência. Trabalhamos só com materiais de ‘dead stock’ e toda a nossa produção é local. É necessário acompanharmos os tempos de agora”.

Além de posicionar cada vez mais Portugal como país de criatividade e tradição, design, produção e sustentabilidade, uma das missões do Portugal Fashion é dar notoriedade internacional às marcas de autor portuguesas, e Estelita Mendonça confirmou isso mesmo: “Se não houver plataformas como o Portugal Fashion, fashion weeks, não existe maneira dos designers se apresentarem. Esta plataforma pode ser uma alavanca para muitos e depende muito de como quem a usa para continuar a carreira. A ideia final da minha marca é ser o mais internacional possível e nós estamos a trabalhar nisso com o apoio do Portugal Fashion”.
Merece também destaque a apresentação do projeto Imagine-a-Bag – uma iniciativa do Vila do Conde Porto Outlet e do Freeport Fashion Outlet, que lançaram um concurso para os jovens designers do BLOOM, tendo em vista o desenvolvimento de um saco multifunções que se adeque a um modo de vida sustentável. O vencedor foi o projeto Área 8, que resulta de um trabalho colaborativo entre designers, nomeadamente os bloomers House of Wildflowers, AHCOR e Maria Carlos Baptista. Este projeto levou à conceção, não de uma, mas de várias versões do saco multifunções, que estarão agora à venda nos centros de Lisboa e Vila do Conde.