Maria Monteiro
“A esta nova geração de criadores que são vistos como o sucesso de amanhã, é necessário apoiar a sua formação, para que possam fazer carreira de braço dado com a indústria”, disse Manuel Serrão, CEO da Selectiva Moda, em declarações ao programa ‘Tendências’ da rádio RCI Viseu, apresentado por Cila Correia.
Continuando “muito ligado aos jovens estilistas através do Projeto Portuguese Fashion News, que recentemente teve a sua fase final na feira de São Mateus em Viseu”, Manuel Serrão, promotor de vários projetos de internacionalização da moda, do design e do têxtil português, partilhou as tendências, a visão de futuro e as oportunidades para a região centro de Portugal.
É também na região centro de Portugal que predominam as competências académicas direcionadas a esta área tão específica. Desde faculdades, escolas, institutos e politécnicos, parece existir uma maior predisposição dos alunos e designers da região em continuarem a apostar no sector têxtil. “É possível hoje em dia, talentos que sejam oriundos destas regiões do centro poderem até à distância colaborarem e integrarem projetos industriais do norte, ou de outro ponto do país, e até do estrangeiro”.
Uma aliança entre os jovens estilistas e a Indústria pode ser um novo paradigma para a economia portuguesa e uma alavanca para a internacionalização. Isto é, passarmos do “made in” para o “created in”. Para isso, é necessário que as marcas dos estilistas portugueses estejam apoiadas na capacidade produtiva e comercial das Indústrias, que por seu turno têm todo o interesse na exploração da possibilidade de exportarem com marca própria.
No que diz respeito às tendências e à inovação dos modelos de negócio, o digital é também um movimento imparável e que chegou a Portugal com alguma força, mas não com a mesma velocidade e impacto que a sustentabilidade. “Embora toda a Indústria esteja a apostar e a acompanhar as tendências da digitalização, não estamos a ser vanguardistas em relação ao resto do mundo, ao contrário do que acontece com a sustentabilidade”, referiu Manuel Serrão.