3 Abril 2018
Vestuário

Raposo Antunes

Mónica Gonçalves seduz H&M, Zara e Nike

Mónica Gonçalves (na foto, à direita, com calças às riscas) é uma força da natureza. Aos 29 anos, já desenvolveu um revolucionário fio de cortiça, concebeu a máquina que o produz industrialmente, ganhou prémios internacionais, tem gigantes do vestuário como a H&M, Zara e Nike à perna por causa das suas criações e inventos e, last but not least, a sua colecção encantou há uma semana o Portugal Fashion no Parque da Cidade do Porto.

Do ADN da mãe, herdou o gosto pela costura que refinou durante a sua passagem pelo Modatex, em Lisboa, onde tirou aos 23 anos o curso de Design de Moda. “Já nessa altura estava muito focada no desenvolvimento de novos materiais”, contou ao T Jornal Mónica Gonçalves. Foi durante um estágio de três meses em Veneza, na marca de vestuário Barena, que percebeu as potencialidade do fio de cortiça.

De regresso a Lisboa, desenvolveu então uma máquina artesanal para a produção desse fio que é feito com uma matéria-prima da qual Portugal é o maior produtor mundial. Mónica Gonçalves depressa percebeu que para dar o salto em frente tinha que industrializar a produção do fio de cortiça.

Trabalhou no aeroporto, em lojas, e noutras áreas para conseguir o capital necessário a essa empreitada, ao mesmo tempo que ia criando as suas peças de vestuário. Um concurso televisivo iria abrir-lhe as portas do futuro. Levou à versão portuguesa do famoso Shark Tank, em Abril de 2016, peças de vestuário feitas em fio de cortiça produzido na máquina-piloto que tinha concebido. Conseguiu convencer um dos tubarões, Isabel Vicente, presidente do Clube Business Angels de Lisboa, a entrar com 40 mil euros, o equivalente a 30% do capital da sua empresa In.Filo, para fabricar a máquina que podia produzir industrialmente o fio de cortiça.

Essa empreitada foi entregue à empresa Plastiber que fabricou a máquina que hoje produz anualmente 80 toneladas de fio de 1 milímetro, composto por cortiça (80%) e algodão, e que é banhado por fécula de batata. “Esse banho acaba por dar ao fio uma maior resistência e elasticidade”, explica Mónica Gonçalves.

Com a máquina (o fabrico durou cerca de um ano), esta designer de moda de Lisboa ganhou lastro para lançar a sua marca de vestuário Casa Grigi que esteve pela primeira vez no Portugal Fashion do Porto realizado em Novembro do ano passado.

Entretanto, já tinha obtido uma bolsa de estudo na área dos materiais naturais, foi ganhando prémios (o A.Design Awards de Milão e o Lexus Design Awards), passou a ter quatro colaboradores, todos eles licenciados em design de moda, lançou uma loja on-line da Casa Grigi, colocou os seus artigos de vestuário em quatro lojas multimarca espalhadas de Norte a Sul do país, tornou-se consultora no departamento de inovação da ERT, entrando assim numa área que a seduz – a utilização de novos materiais no interior de automóveis.

No que toca ao vestuário e ao fio de cortiça, Mónica Gonçalves despertou já o interesse de gigantes com a H&M, Zara e Nike. Mas a sua cabeça não pára. Nesta altura, tem cinco patentes para serem avaliadas e que lhe permitirão desenvolver novos produtos para áreas como o automóvel, o mobiliário ou o underwear. Em todas elas utiliza novos materiais, no fundo, aquilo em que “sempre se focou”, como a própria diz.

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