28 junho 2022
Inovação

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CITEVE: inovar sim mas para vender mais

“O que nós queremos é ajudar as empresas a fazerem coisas novas e viáveis, ou seja, de que possam fabricar quilómetros e faturar” resume Braz Costa, diretor geral do CITEVE, a propósito do prémio (mais um), ganho na Techtextil pelo centro tecnológico que dirige, em parceria com ERT, CeNTI e o CTIC (centro tecnológico do couro).

Quando se compara um prémio na Techtextil 22 com os três arrecadados na edição de 19, pode ficar-se com a sensação de que soube a pouco. O diretor geral do CITEVE desmente essa ideia errada. “Em 2019, Portugal ter ganho três prémios em sete foi uma situação excepcional. O que é realmente importante é que a inovação entrou na rotina de um número significativo de empresas, tendo passado a ser tão natural como respirar”, afirma Braz Costa.

A continuidade da aposta em inovação e criatividade é um dos principais ativos (senão mesmo o principal) das empresas da indústria têxtil e de vestuário (ITV) nacional. “Não basta ser capaz de fazer produtos inovadores. Temos também de ser capazes de os industrializar, de viabilizá-los comercialmente”, chama a atenção.

Trabalhar para resolver os desafios colocados pelas empresas e/ou seus clientes, arredondando esquinas, achando soluções e descobrindo novos processos, é o pão nosso de cada dia do CITEVE. Todavia as dificuldades não acabam no momento em que se chega ao protótipo que condensa a resolução tecnológica do desafio inicialmente colocado.

Na Techtextil 19, o consórcio CITEVE/Penedo/Sedacor foi distinguido com o prémio Novo Produto com o cork-a-tex, um fio produzido a partir de desperdícios da indústria corticeira. Mas a Penedo teve muitas dores de cabeça, muitos estudos a fazer e obstáculos a serem vencidos até, três anos volvidos, apresentar na última Heimtextil a primeira colecção de cama produzida a partir do fio cork-a-tex.

E a explosão mundial do sucesso deste produto inovador está por um fio: os grandes players mundiais do calçado desportivo e os maiores construtores automóveis estão a um passo de se tornarem clientes de tecidos feitos com fio de cortiça.

Quem sabe se, daqui a três anos, a Deutsche Bahn não estará, por exemplo, a comprar, para os assentos dos seus comboios, o revestimento produzido a partir do desperdício da indústria de curtumes – um processo distinguido na Techtextil 22.

“Os resultados do que de mais avançado produz a inovação da Mercedes, em termos de performance, segurança e sustentabilidade, estão nos seus protótipos de Fórmula 1. Ora estes carros não estão à venda. Mas o que realmente interessa é que ao longo do tempo essas novidades vão começando a passar para os carros que a marca alemã comercializa”, explica o diretor geral do CITEVE.

“O ideal é que os produtos inovadores se tornem industrial e comercialmente viáveis. Mas se isso não acontecer de imediato, no curto prazo, as empresas obtêm, de qualquer maneira, ganhos reputacionais. Se foi capaz de resolver esse problema …”, conclui Braz Costa, que preside há uma dúzia de anos a associação europeia de centros tecnológicos e é o responsável por dois centros de i&d (CITEVE e CeNTI) onde trabalham cerca de 300 investigadores em aproximadamente uma centena de projetos.

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