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As empresas chinesas estão a deslocar a produção crescentemente para a Etiópia, aproveitando o custo mais reduzido da mão-de-obra, noticiou a Bloomberg.
Numa reportagem alargada, o canal norte-americano visitou algumas empresas que estão a produzir têxteis naquele país e encontrou uma realidade em mudança, com trabalhadores mais habituados ao trabalho agrícola e que depois têm dificuldades em adaptar-se.
A fábrica da Indochine International em Hawassa é um exemplo desta estratégia, com planos para contratar 20 mil etíopes até 2019, depois de 24 meses de construção.
A vontade de subcontratar dos chineses encaixa bem na política de industrialização do governo da Etiópia. O país, predominantemente agrícola, quer transformar-se numa potência industrial e o têxtil é um dos primeiros sectores a instalar-se na região.
Os etíopes que acabam por trabalhar nas fábricas chinesas são sobretudo mulheres, com salários base de cerca de 25 dólares por mês. São divididas em categorias: as mais qualificadas trabalham nas máquinas de costura e as restantes são colocadas no embalamento ou em serviços de limpeza.
Os produtos são básicos, semelhantes aos que a própria China dominava há alguns anos, mas nos quais está a perder competitividade, face ao aumento de salários.
O governo etíope atrai as organizações com incentivos fiscais, promessas de investimento nas infraestruturas e trabalho muito barato. E são os chineses, bem como cidadãos do Sri Lanka, que agora agem como intermediários para colocar a produção de marcas como a Guess, a Levi’s e a H&M, entre outras.