22 Outubro 19
Inquérito

Cláudia Azevedo Lopes

Big data e flexibilização são as prioridades dos empresários

A verticalização das empresas, a flexibilização da produção e a análise de Big Data estão no topo das prioridades dos empresários têxteis. Esta é a principal conclusão do questionário feito a cerca de 110 participantes da sessão World Café&Nata durante a ITMF Convention que decorre desde ontem no Porto Sheraton.

Como não podia deixar de ser, a sustentabilidade e a automação também aparecem como essenciais para a maximização dos lucros das empresas, assim como para os empresários europeus a flexibilização tem vindo a ganhar terreno, sendo atualmente mais um dos conceitos chave a ter em mente.

“A questão da flexibilização da produção é muito importante para os europeus e menos importante para os asiáticos, que são os grupos com maior expressão nesta convenção. O que significa que ainda perdura a ideia de que a estratégia de desenvolvimento de negócio na Ásia está focada nas grandes produções, enquanto os europeus se preocupam mais com a questão da flexibilização”, explicou Braz Costa, diretor do CITEVE, que moderou a sessão juntamente com Thomas Gries, Diretor do instituto ITA da RWTH Aachen University, na Alemanha.

“O desenvolvimento tecnológico, seja na área do processo, seja na área dos materiais, é outra das grandes preocupações dos empresários”, revelou o diretor do CITEVE. No entanto, “é curioso perceber também que para os inquiridos a informação tecnológica aparece como sendo mais importante do que a produção tecnológica”, destacou Thomas Gries, referindo-se à análise de Big Data que na opinião dos empresários é essencial para o sucesso dos negócios.

“Já sustentabilidade e a digitalização aparecem como preocupação de todos. São obrigatórias”, concluiu Braz Costa.

Os desenvolvimentos geopolíticos, o preço da energia e a falta de mão de obra qualificada –uma questão muito próxima ao contexto português e cuja resolução se apresenta como fundamental para o desenvolvimento da têxtil nacional – aparecem como as preocupações mais prementes para os empresários têxteis.

O objectivo desta sessão foi incentivar a participação ativa de todos os participantes, que deixaram de ser meros ouvintes para se colocarem no centro do debate. Organizados por grupos, tiveram primeiro que responder ao inquérito a título individual e, após o debate com os restantes membros, dar uma resposta coletiva às mesmas questões.

“Não quisemos fazer uma análise estatística mas sim pôr as pessoas a conversar, a partilhar ideias e a confrontar opiniões. Isto permitiu-nos criar um registo do percurso da discussão: da opinião individual à do pós-debate. E o engraçado foi perceber que há diferenças, que a discussão modifica a opinião das pessoas, o que é muito positivo porque chama a atenção dos envolvidos para questões que provavelmente nunca tinham pensado”, destacou Braz Costa.

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