Raposo Antunes
Para uma marca 100% portuguesa, um nome 100% português – Carapau. Foi por esta razão que o casal de designers gráficos Rita Faria e Tiago Couto, ambos com 39 anos, decidiu baptizar a sua marca de artigos para decoração de interiores com o singular nome de um dos peixes mais comuns nas mesas portuguesas.
Tudo começou em 2014 quando a crise bateu à porta, não só destes designers como de muitos outros e de muitas outras pessoas de outras áreas de actividade. “Percebemos que tínhamos que alargar o âmbito da nossa actividade. Tanto eu como o Tiago sempre gostamos da área da decoração e eu, em particular, gostava também muito de costurar”, recorda Rita Faria.
O atelier destes designers, localizado no Carvalhido, no Porto, alargou a partir de então a actividade para outras áreas do design. Bonecos para criança, almofadas e sacos passaram também a ter a chancela de Rita e Tiago. “É tudo feito à mão no nosso atelier. Só utilizamos produtos naturais como o burel, o linho e a lona. E só fazemos produtos ecológicos”, descreve.
A singeleza das declarações de Rita não revelam o sucesso que em três anos a marca Carapau já atingiu. Os seus produtos são vendidos em lojas multimarca nos EUA, em França, na Inglaterra e até no Japão. Por cá, a Burel Factory acolhe o trabalho produzido por este casal de designers.
Os bonecos para crianças são o must da Carapau. Feitos em burel e linho e com serigrafias manuais, nas quais só são utilizadas tintas ecológicas, os bonecos são vendidos entre 30 a 60 euros.
Nas almofadas, o material e as técnicas utilizadas são as mesmas dos bonecos, enquanto nos sacos Rita e Tiago utilizam lonas.
Embora mantenham o gabinete de design, o casal está cada vez mais direccionado para a produção destes artigos de decoração. “Quando as encomendas apertam, temos de recorrer a duas costureiras que costumam trabalhar connosco”, explica.
Claro que a participação do Carapau em feiras como a Maison et Objet, em Paris, na New York Now, numa outra feira em Londres dedicada a artigos de decoração e também num certame da mesma área que se realiza em Tóquio tem contribuído para o Carapau português ter sucesso sobretudo no estrangeiro.
“Em Portugal, só temos os nossos produtos nas lojas da Burel Factory”, revela, acrescentando que o sucesso lá fora se deve sobretudo ao facto de “ser tudo feito à mão e de estarmos a fazer aquilo que se costuma designar como produtos premium”.