27 setembro 18
Sustentabilidade

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A moda verde e sustentável já anda por aí

Um dos espaços que mais interesse suscitou nesta 52ª edição  Modtissimo – e claramente maior admiração pelo seu caráter inesperado – é o Green Circle, onde a economia circular e a sustentabilidade fazem a ponte com os criadores e com a própria indústria têxtil e do vestuário. Maria José Carvalho, responsável pela sustentabilidade e economia circular do CITEVE, explicou que o Green Circle pretende dar a entender que têxteis sustentáveis “não resultam necessariamente em produções insípidas; queremos mostrar que a alta criação é possível”.

Mas o Green Circle demonstra também, por outro lado, a proximidade cada vez mais evidente entre a indústria e os criadores, nomeadamente quando está em causa a utilização de material novos, que o mercado ainda não conhece ou conhece mal – por muito que eles venham a ser, e são com certeza, o futuro do setor. É a simbiose entre inovação, criação e indústria.

O Green Circle resulta de uma parceria entre o CITEVE e Paulo Gomes, da Manifesto Moda, com a chancela da Selectiva Moda e é definitivamente, no Modtissimo, a montra do futuroda ITV. A exuberância da exposição, logo  à entrada, quase faz passar despercebido o tecido reciclado que cobre as paredes – e a que importa dar toda a atenção.

Nos diversos exemplos que a criatividade pincelada com investigação levou até à Alfândega do Porto, é difícil escolher qual das propostas merece fazer parte de um razoavelmente aleatório Top 5: a escolha que se segue é tão representativa, ou não, como qualquer outra.

  1. A Sampaio & Filhos Têxtil – tecido que resulta da soma entre 60% de algodão biológico e 40% de poliéster que é o resultado da transformação de plásticos retirados do fundo do mar Mediterrâneo. O criador Mário Matos Ribeiro é a responsável pela demonstração do que é possível fazer com tão inesperado material.
  2. Tintex Textiles – tecidos cujo tingimento foi conseguido à custa de produtos naturais. Os dois em exposição são tingidos com tomilho, um, e com hortelã-pimenta, outro. A designer Maria Gambina criou o modelo que usa este material.
  3. Washedcolors – uma inovação surpreendente através do processo a que chamou Wetamarble. Consegue tingir tecidos com apenas 10% de água do que é o tingimento normal. Poupar 90% de água seja em que processo for, é um achado.
  4. Têxteis Penedo – tecidos que incorporam 80% de algodão com 20% de resíduos de cortiça – um desperdício resultante de um produto natural, cuja investigação é pioneira no país. Alexandra Moura é a responsável pelo resultado que se encontra em exposição.
  5. Somelos Tecidos – tecido que incorpora 78% de algodão com 22% de uma viscose produzida a partir de caule de rosa (a que chamou rosa fiber), uma das soluções mais surpreendentes em mostra. Manuel Alves e Manuel Gonçalves assinam o resultado da utilização do produto.
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