T53 - Março 2020
Loja

A essência de vestir o homem

Foi para provar que os homens não se vestem todos de igual que Filipe Cerejeira abriu a ManMood, uma loja onde o feito por medida é a estrela

Cláudia Azevedo Lopes

“Senti que havia falta de roupa de homem diferenciadora”, responde Filipe Cerejeira para explicar porque decidiu lançar a marca de roupa para homem ManMood. Estava em 2015, deixava para trás uma carreira no mundo da têxtil, e queria contrariar a velha máxima de que os homens se vestem todos de que igual e de que a roupa masculina não tem nada que se lhe diga.

“Comecei na área da importação de gangas, e vendia em Portugal para as marcas mais importantes, como a Salsa. Depois passei para a importação de vestuário e aí trabalhei com marcas como a Calvin Klein, a Levis, mas sempre em regime de revenda, ou seja, essas marcas tinham os agentes cá mas eu trabalhava à parte. Ia ver as coleções e selecionava o que me interessava, o que fazia com que tivesse disponíveis artigos que mais ninguém tinha em Portugal. Peças diferenciadas, porque os agentes não as escolhiam”, conta Filipe.

Depois seguiu-se uma aventura na venda de tecidos, que o pôs a trabalhar com algumas das mais importantes fábricas de confeção do nosso país, até que chegou a crise e o obrigou a procurar novos horizontes. Procurou confecionadores nacionais e começou a estruturar uma coleção, que além dos blazers e calças, inclui polos, pullovers , calças de ganga, cardigans , calçado e múltiplos acessórios, desde lenços e bolsas a pulseiras e gravatas.

“Tudo confecionado em Portugal com recurso a tecidos e peles italianas”, precisa. A ideia era fazer roupa de homem de qualidade e com um je ne sais quoi . “Os nossos blazers têm todos pequenos detalhes únicos, quer seja um forro feito com tecido impresso com imagem fotográfica, os botões em madrepérola natural, ou a ausência de ombreiras, que lhes conferem um ar mais moderno”, conta Filipe.

Algo diferente mas que, ao contrário das grandes marcas, não custa os olhos da cara. “Quando lancei a ManMood, a minha ideia era apenas trabalhar para revenda, mas depois descobrimos esta loja, que para além de um armazém enorme tem esta frente de loja com duas montras grandes, perfeitas para expor os nossos artigos. E para além disso permite levar a cabo uma das nossas atividades mais diferenciadoras: o feito por medida”.

O cliente entra, escolhe o artigo que quer e pode personalizar a gosto: do tecido ao corte, à cor e aos acabamentos, para que tudo lhe assente como uma luva. Tudo feito no prazo de 15 dias – uma semana se a urgência for muita. Quando não há na loja o que o cliente quer, o Filipe trata de encontrar. “Muitas vezes vou procurar tecidos de acordo com as indicações do cliente. É todo este trabalho de fidelização que fazemos aqui. O cliente deixa de ser só um cliente e passa a ser um amigo”, revela satisfeito.

O private label é também uma das vertentes exploradas pelo empresário e que ajuda a engrossar os números do negócio. A ambição de Filipe é apostar na revenda e ver a ManMood espalhada por lojas multimarca – já está na WICKETT JONES e Don Lopo (Porto), Antoniu’s (Leiria) e Oficina Mustra (Lisboa).

“É sempre difícil implementar marcas em Portugal porque o mercado é pequeno e liga muito à marca. Em Itália, por exemplo, as lojas que vendem as grandes marcas também têm marcas mais pequenas. Dão oportunidade aos emergentes. Em Portugal ainda há um caminho a percorrer nesse sentido”, completa.

A Loja

ManMood
Rua do Campo Alegre, 1088
4150-173 Porto

Ano de abertura 2005 Produtos Roupa de homem made in Portugal Marcas Todos os produtos são vendidos sob a marca própria ManMood Características Peças únicas e exclusivas, de alta qualidade Outros Serviços Alfaiataria por medida, que permite a personalização de fatos, blazers, calças e camisas

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