Bebiana Rocha
A The Woolmark Company dinamizou esta manhã, nas instalações da Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP), um workshop inteiramente dedicado ao potencial da lã, que reuniu sala cheia e uma plateia atenta às partilhas de Birgit Gahlen, R&D Manager da empresa.
“A nossa missão é contribuir para a evolução da indústria têxtil e vestuário, inspirar e apoiar com mais conhecimento sobre esta fibra, sobretudo em termos de performance”, começou por afirmar a responsável.
Através de uma apresentação dinâmica, suportada em vídeo, Birgit apresentou o mundo da lã, destacando o investimento em inovação e sustentabilidade, não apenas por parte da própria Woolmark, mas também de toda a fileira. A sessão abriu com uma síntese sobre a fundação e propósito da organização, sublinhando a sua abrangência em toda a cadeia de valor, desde o agricultor ao confecionador, incluindo também marcas e retalhistas.
Birgit recordou que a Woolmark investe diretamente na produção animal, através do desenvolvimento de novas soluções para proteger os animais contra doenças. Enquanto organização sem fins lucrativos, tem igualmente um papel relevante na pesquisa de novas formas de incorporar tingimentos naturais, incentivar o uso da lã por marcas e retalhistas e apoiar projetos de inovação.
Durante a apresentação, foram destacados os pilares da Woolmark, nomeadamente o apoio com ferramentas de sourcing, a ligação entre produtores e compradores de lã e a vantagem de ser uma organização com presença internacional. Foi igualmente sublinhado o trabalho em parceria com universidades, a promoção de prémios para estimular o talento emergente e o uso da lã, bem como o pioneirismo no controlo de qualidade. Neste âmbito, Birgit explicou os diferentes selos disponíveis para garantir a autenticidade do produto e enumerou os critérios que estão na base dos testes de qualidade.
A responsável abordou ainda os diferentes tipos de lã, destacando que na Austrália predomina a lã Merino, e sublinhou os esforços contínuos para produzir fibras cada vez mais finas, ideais para o vestuário desportivo (activewear). Mostrou também os intervalos de microns recomendados para cada tipo de peça, salientando que quanto mais fino for o fio, mais respirável se torna a peça, característica de grande importância.
Foram apresentados números sobre a produção de lã australiana, bem como um mapa de distribuição dessa produção. Seguiu-se um enquadramento do longo processo de transformação da fibra — desde a lavagem, cardação e alinhamento das fibras, passando pela fiação e acabamentos, até ao produto final. “Temos de apostar em fibras de qualidade, fibras naturais, mais sustentáveis”, reforçou Birgit, lembrando a longevidade da lã e a sua capacidade de ser reparada. Sublinhou ainda a sua complexidade estrutural — “cada camada tem uma função” — apoiando-se numa imagem ilustrativa.
Entre as propriedades da lã, foram destacadas a repelência à água, propriedades antiestáticas, resistência ao fogo, capacidade de absorção do suor, prevenção de odores, conforto térmico (adapta-se à temperatura corporal), proteção contra raios UV e capacidade de recuperação ao vinco. Foi ainda referido que a lã é indicada para pessoas com dermatite atópica.
No domínio da investigação e desenvolvimento, Birgit destacou a aposta em misturas naturais — lã com linho, lã com seda — e também em combinações com fibras de base biológica. Foram apresentados exemplos de integração com materiais de elevada resistência como Graphene, Cordura, Dyneema ou Spectra.
No espaço do workshop foram ainda expostos charriots com peças resultantes de colaborações da Woolmark, abrangendo desde workwear a vestuário para ciclismo e artigos de compressão. Entre os conceitos abordados, destacou-se o warp knit, o wool fur velvet, o wool wadding e ainda o wool denim. Também foram mostrados exemplos de estampagem digital aplicada a peças em lã.
No capítulo das parcerias, Birgit apresentou peças desenvolvidas em colaboração com marcas como Boss (blazer e calças exibidos no local), United Colors of Benetton e Prada. Para demonstrar a versatilidade desta fibra, referiu ainda a utilização da lã em swimwear, através de uma parceria com a Vilebrequin.
O workshop terminou com uma mensagem clara: a lã é uma fibra natural, duradoura, versátil e sustentável, capaz de responder às exigências técnicas e criativas da indústria têxtil e vestuário contemporânea.