Bebiana Rocha
A WAT apresenta-se pelo segundo ano na Performance Days com uma proposta centrada na durabilidade, sem perder o alinhamento com o tema desta edição – Textile to Textile. A oferta integra peças em poliamida reciclada, poliéster reciclado e algodão reciclado, refletindo uma abordagem cada vez mais consciente. “O mais importante é oferecer peças que durem anos”, sublinha Júlia Soares, area manager, em declarações ao T Jornal.
Especializada no segmento desportivo, a empresa levou à feira uma gama diversificada, dirigida a diferentes nichos, combinando várias técnicas de produção, como flatlocks, colagem e corte a laser, entre outras. No capítulo das novidades, Júlia Soares destaca um poncho de surf desenvolvido para uma das edições da ISPO, que incorpora um bolso com propriedades repelentes à água, pensado para garantir a segurança dos pertences dos surfistas. A inovação valeu-lhe, inclusive, uma distinção atribuída pela própria feira.
Atualmente, a Performance Days assume-se como uma aposta estratégica para a WAT, tanto na captação de novos clientes como no reforço das relações comerciais existentes. Apesar de reconhecer que a edição de outubro apresentou melhores resultados, Júlia Soares considera que esta continua a ser uma feira de referência para quem atua em nichos do mercado desportivo. “Trabalhamos muito com startups, empresas em fase de implementação. O nosso cliente é específico e posiciona-se numa gama média-alta”, explica.
A responsável não deixa, contudo, de apontar críticas à concorrência desleal proveniente da Ásia, que tem vindo a inundar o mercado com produtos de ultra fast fashion. “Daqui para lá exigem tudo, de lá para cá não são exigidas as mesmas regras”, denuncia. Este contexto, aliado à imprevisibilidade global, tem vindo a gerar impactos significativos no negócio.
Relativamente ao conflito no Médio Oriente, Júlia Soares admite que a WAT já começa a sentir os seus efeitos, nomeadamente através do aumento dos preços dos fornecedores. Custos que, segundo a própria, não conseguem ser facilmente repercutidos no cliente, nem absorvidos internamente, sobretudo se a situação se prolongar. “Trabalhamos com margens já de si muito reduzidas para sermos competitivos. Suportar aumentos de 3 euros por metro de tecido não é fácil. As estamparias também estão a subir preços devido ao gás natural”, acrescenta.
Para 2026, a ambição mantém-se: crescer de forma sustentada. No calendário, destaca-se já a participação na Première Vision Paris, em setembro, uma vez que última edição trouxe resultados bastante positivos para a empresa.