Bebiana Rocha
A Valérius 360 foi a convidada da mais recente série do Jornal de Negócios, “De Portugal para o Mundo”, num episódio que coloca a economia circular no centro da transformação do setor têxtil nacional.
A visita às instalações da empresa, em Vila do Conde, foi conduzida por Ana Tavares, CEO da RDD Textiles, empresa do grupo Valérius. Ao longo da reportagem, a responsável apresentou a Valérius 360 como uma resposta concreta a um dos maiores desafios da indústria: o desperdício gerado tanto durante o processo produtivo como no fim de vida das peças.
A unidade está organizada em duas grandes áreas. Numa primeira fase, ocorre o corte da matéria-prima, que é depois encaminhada para o silo, onde se procede à separação e uniformização dos materiais. Segue-se a etapa de reciclagem propriamente dita, da qual resultam novas fibras prontas para reintegração no ciclo produtivo.
“Todos os dias são diferentes na Valérius 360. Não sabemos que cores vamos receber nem que pedidos vão chegar. Trabalhamos quase como um puzzle”, explica Ana Tavares, sublinhando a complexidade e a flexibilidade exigidas por este modelo de negócio.
Ao longo da série, o público acompanha as várias etapas do processo e escuta, na primeira pessoa, as poupanças alcançadas, os desafios técnicos superados e as barreiras culturais que ainda persistem. A rubrica assume-se, assim, como um espaço de aproximação ao consumidor final, tornando mais transparente o percurso de um produto reciclado.
Após uma década de experiência na indústria, Ana Tavares reconhece que o setor mudou profundamente. Hoje, existe uma preocupação muito mais evidente por parte das empresas e das marcas internacionais que compram em Portugal. A indústria tornou-se progressivamente mais tecnológica, mais sustentável e mais orientada para produtos de maior valor acrescentado.
Ainda assim, defende, falta que a legislação acompanhe este esforço, criando mecanismos que incentivem o consumidor a optar por produtos reciclados e circulares. Só com esse alinhamento entre indústria, marcas, consumidores e enquadramento regulatório será possível acelerar, de forma consistente, a transição para um modelo verdadeiramente sustentável.