Bebiana Rocha
A variabilidade das fibras de algodão mecanicamente recicladas é um dos principais desafios para as fiações. Para ajudar a indústria a avaliar estas matérias-primas e a determinar as aplicações mais adequadas, a Uster Technologies apresenta a Recycled Fiber Matrix, uma nova ferramenta de avaliação bidimensional.
A matriz permite cruzar diferentes características das fibras e relacioná-las com o seu potencial de utilização na fiação. O objetivo é “tornar mais previsível o comportamento de diferentes lotes e apoiar decisões como os rácios de mistura com fibras virgens e o ajuste dos parâmetros de fiação”, explica em comunicado.
A ferramenta foi desenvolvida a partir de uma recolha de dados de fibras 100% algodão mecanicamente recicladas provenientes da China, Índia e Europa. A amostra incluiu fibras em cru, coloridas e branqueadas, provenientes tanto de resíduos de pré-consumo como de pós-consumo. A caracterização foi realizada com recurso ao equipamento Uster AFIS 6.
Entre os parâmetros considerados estão o comprimento das fibras, o teor de fibras curtas, o comprimento dos 5% de fibras mais longas, o comprimento médio das fibras situadas no quartil superior da distribuição e a presença de neps.
Para facilitar a leitura dos resultados, a Uster estabeleceu uma classificação de A a D, com cinco tabelas correspondentes aos diferentes parâmetros analisados. A titulo exemplificativo da tabela gerada para o comprimento das fibras: a Classe A (High Grade Recycled), por exemplo, reúne fibras com L(n) superior a 17 mm e L(w) superior a 21 mm, consideradas adequadas para fios penteados, cardados ou compactos. Estas fibras são geralmente misturadas com fibras virgens para aplicações como malhas finas, T-shirts e produtos de maior qualidade.

A Classe B (Medium Grade Recycled), com L(n) entre 14 e 17 mm e L(w) entre 19 e 21 mm, pode ser utilizada em mistura com fibras virgens para fios cardados ou compactos destinados, por exemplo, a malhas casuais e camisas.
Já a Classe C (Coarse Use Recycled) corresponde a fibras com L(n) entre 12 e 14 mm e L(w) entre 16 e 19 mm, mais indicadas para fios OE utilizados em denim, toalhas, tapetes e tecidos utilitários. Na Classe D (Limited Spinnable Recycled) ficam as fibras com valores inferiores a 12 mm de L(n) e 16 mm de L(w), que exigem uma maior proporção de fibras virgens para aplicações de fiação e que poderão ter maior interesse em não tecidos ou enchimentos.
Mais do que classificar as fibras individualmente, a matriz procura evidenciar diferenças que podem não ser percetíveis através de um único indicador. “Dois lotes com o mesmo comprimento médio podem apresentar comportamentos diferentes durante a fiação se tiverem teores distintos de fibras curtas”, explica a Uster. A análise bidimensional permite, assim, comparar os lotes de forma mais objetiva e estimar a carga de fibras curtas, estabelecer rácios de mistura e ajustar parâmetros como a estiragem, a torção e a velocidade de fiação.
A Uster indica que continuará a atualizar a matriz com novos dados, com o objetivo de aumentar a precisão da ferramenta. Em paralelo, está a analisar o impacto dos diferentes rácios entre algodão reciclado e algodão virgem na qualidade do fio.
A informação detalhada da Recycled Fiber Matrix está reunida num relatório dirigido às fiações. A empresa vai ainda aprofundar o tema num webinar, intitulado “Quality Assessment of Mechanically Recycled Fibers”, marcado para 21 de outubro, às 12h00 CET.