Bebiana Rocha
A União Europeia e a Índia assinaram um Acordo de Livre Comércio esta semana que prevê a eliminação dos direitos aduaneiros sobre 90% dos produtos indianos num prazo de cerca de um ano, incluindo a tarifa de aproximadamente 12% aplicada aos têxteis e vestuário. Segundo a Comissão Europeia, trata-se da abertura comercial mais ambiciosa alguma vez concedida pela Índia a um parceiro comercial.
O acordo deverá permitir duplicar as exportações de mercadorias da UE para a Índia até 2032. Do lado indiano, as projeções apontam para um crescimento anual entre 20% e 25% das exportações para a Europa, com o objetivo de duplicar esse volume num horizonte de três a quatro anos. Atualmente, a União Europeia e a Índia transacionam mais de 180 mil milhões de euros por ano em bens e serviços.
No que diz respeito ao setor têxtil, as exportações da UE para a Índia ultrapassaram os 730 milhões de euros em 2024, registando um crescimento homólogo de 11%. Apesar da relevância do mercado europeu, a Índia representa atualmente cerca de 3% da quota do mercado de vestuário da UE.
A EURATEX considera a assinatura do acordo um passo importante na política comercial europeia. Numa reação partilhada nas redes sociais, a associação sublinha que “surgem novas oportunidades para a indústria têxtil europeia”, alertando, contudo, para a necessidade de um maior nível de escrutínio “para garantir que os compromissos de acesso ao mercado se traduzem num comércio real e equilibrado para os produtores europeus”.
Segundo a agência Reuters, os exportadores têxteis indianos veem este acordo como uma oportunidade para compensar parte dos prejuízos causados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos em agosto passado.
“Criámos uma zona de comércio livre de dois mil milhões de pessoas, com vantagens económicas para ambas as partes”, afirmou Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia, a 27 de janeiro, destacando o potencial estratégico do acordo para o reforço das relações económicas entre a UE e a Índia.