03 junho 26
Empresas

Bebiana Rocha

Twintex acelera eficiência com sistema de transporte aéreo ETON

A Twintex avançou recentemente com a implementação do sistema de transporte aéreo de peças ETON System na sua linha de produção de calças. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Filc e está a ser estendido a outras linhas.

Em declarações ao T Jornal, Beatriz Tavares, Embaixadora para a Sustentabilidade Social e Ambiental, explica que o investimento foi motivado pela necessidade de aumentar a eficiência e a flexibilidade das linhas de produção. “A automatização do transporte das peças permite reduzir movimentações desnecessárias, otimizar o fluxo produtivo, melhorar a rastreabilidade e garantir um maior controlo sobre o processo”, afirma, enquadrando o investimento na estratégia de inovação da Twintex como uma resposta aos desafios da indústria.

Os resultados fizeram-se sentir de imediato. “Os ganhos operacionais foram visíveis desde o primeiro momento, com um aumento significativo da produtividade resultante da otimização do fluxo de trabalho e da redução dos tempos de espera entre operações”, confirma.

No entanto, os benefícios vão além da eficiência. Segundo Beatriz Tavares, o sistema ETON trouxe melhorias significativas para as condições de trabalho da equipa, ao “reduzir a fadiga associada à movimentação constante de peças ao longo da linha”. A responsável destaca ainda a diminuição do esforço físico dos trabalhadores e, consequentemente, a redução do risco de lesões e doenças profissionais relacionadas com a movimentação manual de cargas, “que em alguns casos podiam ser consideráveis”.

Ao nível do layout e da organização do espaço fabril, foi necessária uma reorganização da área produtiva. “Foi necessário adaptar a disposição dos postos de trabalho e planear os percursos de transporte para garantir a máxima eficiência. No entanto, uma das vantagens deste sistema é precisamente a otimização do espaço disponível”, explica, acrescentando que o fluxo produtivo se tornou visualmente mais organizado e eficiente.

A reação inicial dos trabalhadores à mudança foi marcada por alguma apreensão. Contudo, a responsável relata que, à medida que se foram familiarizando com o novo sistema, os benefícios tornaram-se evidentes. “Hoje, muitos operadores referem que já não se imaginam a regressar ao método de trabalho anterior.”

O T Jornal falou também com Filipe Coutinho, fundador da Filc, que explica que o processo começou com um diagnóstico detalhado ao fluxo de produção existente. “Mapeámos os movimentos de peças entre postos, identificámos os pontos de estrangulamento e quantificámos os tempos improdutivos associados ao transporte manual. A partir daí, definimos em conjunto com a Twintex os objetivos operacionais e dimensionámos o sistema. A instalação foi faseada, começando pela linha de vestidos, o que permitiu validar os ganhos antes de escalar.”

O responsável confirma que a Twintex é uma das mais recentes empresas a instalar o sistema ETON, apontando-a como um exemplo que poderá inspirar outras empresas nacionais a repensar os seus modelos de produção. “O transporte aéreo aplica-se praticamente a qualquer linha de confeção – calças, casacos, camisas ou fatos. Setores como o vestuário de trabalho, uniformes, fato de homem e roupa exterior apresentam retornos muito expressivos”, sublinha.

Relativamente ao retorno do investimento, Filipe Coutinho esclarece que este depende sempre da escala da operação e do nível de produtividade de partida. “Temos projetos desta natureza em que é habitual atingir o payback entre dois e quatro anos, considerando os ganhos de produtividade, a redução de desperdícios e a libertação de mão de obra para tarefas de maior valor acrescentado.”

Consciente de que a automatização é um processo contínuo, a Twintex pretende prosseguir o seu percurso de evolução, com foco na digitalização e automatização dos fluxos de informação e da logística interna, reforçando a rastreabilidade e a eficiência ao longo de toda a cadeia produtiva. A administração encara a automatização como uma “ferramenta estratégica para aumentar a competitividade, melhorar a eficiência dos processos e criar melhores condições de trabalho para as pessoas”.

Esta visão de uma fábrica mais ágil, sustentável e preparada para responder aos desafios do sector está igualmente refletida na construção da Twintex Campus, um novo espaço cuja conclusão está prevista para agosto e que permitirá testar novas abordagens à organização do trabalho.

Também a Filc tem vindo a apostar num portefólio de soluções concebidas para responder aos desafios atuais da indústria. “Complementamos o transporte aéreo ETON com soluções de inspeção têxtil com inteligência artificial, equipamentos de corte automatizado, automações de costura e sistemas de preparação de encomendas e rastreabilidade da produção”, conclui Filipe Coutinho.

Este é, assim, um exemplo de cooperação que contribui para um chão de fábrica mais conectado, capaz de reduzir erros, aumentar a velocidade de resposta e reforçar a competitividade da indústria nacional.

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