Bebiana Rocha
O Governo tunisiano aprovou no final de dezembro um projeto de lei que valida as novas regras europeias para as exportações têxteis para a União Europeia. Em comunicado, a Fédération Tunisienne du Textile et de l’Habillement (FTTH) afirmou que acolhe “com entusiasmo a ratificação da Convenção Pan-Euro-Med pelo Governo tunisiano”, destacando que a medida visa reforçar o posicionamento da indústria tunisiana no espaço euromediterrânico.
Com a revisão das regras de origem preferencial no âmbito da Convenção, o acesso ao mercado europeu torna-se significativamente mais simples para produtos-chave como jeans, camisas, t-shirts e roupa de trabalho. Basta o corte e a confeção do tecido ser realizados na Tunísia.
A expectativa é que o acordo consolide a Tunísia como um parceiro de referência e um hub de produção fiável, aumentando as oportunidades para marcas e distribuidores europeus que se abastecem no país.
Em contexto, a Comissão Europeia começou, em julho do ano passado, a implementar exceções às regras de origem para produtos fabricados na Tunísia e destinados à exportação para a União Europeia.
Para Portugal, o impacto pode sentir-se em diferentes áreas: a pressão sobre os produtores nacionais pode aumentar, sobretudo no segmento de vestuário básico; a simplificação da cadeia de valor na Tunísia poderá levar empresas a reconsiderar parte da produção nacional; e, por outro lado, abre-se espaço para colaborações, como subcontratação mantendo a etiqueta “origem UE”, expansão de joint ventures ou projetos de co-branding, além de possibilitar usar a Tunísia como base de exportação para outras regiões.