Bebiana Rocha
Revestimentos de cabos elétricos são a nova aposta da Trim NW. Rui Lopes, administrador da empresa, revelou ao T Jornal durante a Techtextil 2026 que está em desenvolvimento uma nova linha de produção dedicada a este segmento, cuja entrada em funcionamento deverá acontecer em breve, com resultados esperados já no segundo semestre. “Não há muitas empresas na Europa a fazer isso”, sublinha, destacando o potencial da iniciativa.
Esta diversificação representa um passo estratégico no reforço do posicionamento da empresa em segmentos de maior valor acrescentado. Trata-se de uma evolução natural dentro da cadeia de valor em que a Trim NW já opera, sobretudo tendo em conta a forte ligação ao setor automóvel, que representa cerca de 80% da atividade e onde os sistemas elétricos e de cablagem complexa assumem um papel cada vez mais central.
Nesse sentido, a entrada nos revestimentos de cabos elétricos permite à empresa fornecer soluções diferentes dentro do mesmo ecossistema industrial, mas com maior sofisticação técnica e conteúdo funcional. Há, aliás, uma continuidade entre os não-tecidos e esta nova área: a Trim NW trabalha há vários anos com estruturas fibrosas que são transformadas em materiais com funções específicas, e o princípio mantém-se nos cabos elétricos.
Nestes sistemas, o cabo necessita de diferentes camadas funcionais à volta do condutor, nomeadamente isolamento elétrico, proteção mecânica e resistência a fatores como temperatura, humidade ou abrasão. Os não-tecidos podem desempenhar aqui múltiplos papéis, seja como camadas isolantes ou separadores entre condutores, seja como proteção térmica ou mecânica em cabos mais complexos, podendo ainda ser incorporados em sistemas de revestimento multicamada.
A presença na feira alemã correu de forma positiva, com especial destaque para o segundo dia, onde foi estabelecido “um contacto importante”. Além do sector automóvel, a empresa atua ainda nas áreas médica, de embalagem, de telas de bordar, entre outras.
Quanto ao contexto atual do mercado, Rui Lopes admite que o período é exigente para as empresas. Os custos das matérias-primas continuam a subir e, no caso da Trim NW, as principais utilizadas são o poliéster e o polietileno. “Os preços continuam a subir; desde fevereiro até agora o polietileno aumentou 60%, havendo ainda o risco de falta de matéria-prima devido ao conflito no Médio Oriente. No caso do poliéster, a fibra aumentou 35% no último mês”, refere.
Acrescenta ainda que os contratos de compra, que normalmente eram fechados a três meses, deixaram de ser aceites nesse formato, passando a ser mensais, com a perspetiva de continuidade da subida dos preços. A única solução, explica, passa por refletir esses aumentos no preço final ao cliente. No entanto, num setor altamente competitivo e com contratos anuais, essa passagem nem sempre é possível.
Rui Lopes confirma também o aumento dos custos de transporte. Ainda assim, a empresa mantém a aposta na internacionalização. “Daqui a um mês vamos estar em Genebra, numa feira específica de não-tecidos”, adianta.
Num olhar para o futuro, destaca a necessidade de a Europa reforçar a sua reindustrialização e autonomia produtiva, lembrando que atualmente não existe produção de fibras de poliéster virgem no continente.