Bebiana Rocha
“Hoje a verdadeira pressão sobre os custos não está na China. Está aqui, em países como Portugal”, afirma Alexandra Araújo em entrevista à Valor Magazine. No final de 2025, a CEO da LMA fez uma retrospetiva dos seus 30 anos de atividade, contrastando a facilidade de liderar o mercado nos anos 90 – sendo praticamente a única empresa nacional a produzir exclusivamente malha técnica para desporto – com a realidade atual de um mercado global, onde tem de competir com países onde os custos de produção são incomparavelmente mais baixos.
Nos anos 90, a LMA trabalhava sobretudo para a área de desporto, nomeadamente o futebol e para roupa térmica de neve. “A forte procura e a ausência de concorrência direta permitia-nos trabalhar para marcas como a Adidas, a Nike ou a Helly Hansen”, recorda. Desde o início, a empresa diferenciou-se pela aposta na qualidade, como é exemplo a aposta num laboratório de qualidade no segundo ano de atividade.
Nos anos 2000, com a deslocalização da produção têxtil para a Ásia, surgiram novos desafios, mas a LMA redefiniu a sua estratégia – uma aposta ainda mais forte na diferenciação – e manteve-se competitiva. A pandemia, por sua vez, trouxe novas oportunidades, e a empresa concentrou-se na produção de malhas com múltiplas funcionalidades, aproveitando o crescimento do conceito Athleisure.
Sobre o futuro, Alexandra Araújo admite não ter receio de competir e mostra-se confiante no potencial da empresa, mas alerta para os desequilíbrios criados pelo facto de a sustentabilidade existir apenas na Europa. Defende a necessidade de regras justas e uniformes à escala global, apela à proteção da indústria nacional e à promoção da literacia do consumo.
Na entrevista à Valor Magazine, fala também sobre a família, sobre as pessoas e sobre a importância dos governantes passarem mais tempo no terreno para criarem leis que funcionem na prática.