Ana Rodrigues
A transição digital é uma prioridade para que a ITV continue a inovar e a responder aos mais diversos desafios, incluindo aqueles que emanam da União Europeia. No entanto, “é uma oportunidade com muitas dificuldades que exigem esforços”, salientou Rodrigo Siza Vieira, da Lectra Portugal.
Moderado por Mariana D’Orey do T Jornal, o segundo debate da tarde deste 25º Fórum da Indústria Têxtil versou sobre a ‘Transição Digital’ e pretendeu responder a diversas questões. ‘Digital e a Automação Vão Conseguir Salvar a ITV da Escassez de Mão-de-Obra?’ ou ‘O Digital será a última oportunidade para a ITV portuguesa passar do B2B para o B2C e apostar em marcas de moda de relevo global?’ eram alguns dos temas em debate.
Nas palavras dos participantes Rodrigo Siza Vieira (Lectra Portugal), Rui Oliveira (Riopele) e Tércio Pinto (Impetus) foi possível compreender que a transição digital traz regras e que só assim é possível alcançar resultados.
Sendo a transição digital algo que já existe há muitos anos mas com outro nome, Rui Oliveira esclareceu que o caminho que a Riopele começou em 2007 exigiu muita estratégia e adaptação, enaltecendo que “a tecnologia tem que ser um meio para que cumpra objetivos”. Relembrando que essa tecnologia é uma ferramenta importante em termos de gestão e está em todas as componentes da empresa, a “transição digital anda de mãos dadas com a competitividade e traz diferenciação”.
Na mesma linha de pensamento, Tércio Pinto da Impetus afirma que, quando se entra na digitalização tem que haver regras nas empresas para que se possa responder a todos os desafios, sendo evidente a expansão global que a mesma potencia: “ainda que a digitalização facilite a expansão global, a criação de marcas deve ser um esforço do sector e das empresas que não deve ser alavancado no digital”.
Inegável é que a digitalização facilita a sustentabilidade, a transparência e a rastreabilidade, que são cada vez mais exigidas, mas “tem que se ter uma cadeia integrada”. É necessário existir estratégia e ação, “não se pode trabalhar sozinho, tem que se viver num ambiente partilhado”, acrescentou Tércio Pinto.
Só assim é possível que a digitalização traga os seus benefícios de forma exponencial, isto é, “minimizar impactos na escassez de mão-de-obra; automatizar processos de menor valor acrescentado e transferir esses trabalhadores para tarefas de maior valor acrescentado, conduzindo a um maior atratividade para os jovens”, explicou Rui Oliveira.
Rodrigo Siza Vieira continua: “a automatização é mais do que chão-de-fábrica ou criação de produtos e designs. É também eliminar tarefas repetitivas, reduzir o que atrai menos pessoas ao sector e, assim, torná-lo mais atrativo”. Nesse sentido, Tércio Pinto acrescentou que “a digitalização pode captar mais mão-de-obra, mas também pode manter a produtividade e a inovação também traz mais jovens, pois – para a nova geração – já é mais que o salário, importa também o propósito”.
Processo demorado e transformador, “a transição digital só é possível se forem dados os passos certos em cada empresa, mas é algo complexo. É um grande sarilho ao qual não podemos fugir e com os qual as empresas têm que saber lidar. Só assim será possível garantir que há vantagem competitiva, pois é um passo que deve integrar todos os intervenientes. Não há digitalização sem regras, é preciso compromisso”, concluiu Rodrigo Siza Vieira.