Maria Monteiro
Desde novos modelos de negócio até à tecnologia, a ITV está numa fase de transformação que tem forçosamente de ser mais sustentável, mais circular, mais responsável, mais tecnológica e mais digital, tudo sob um contexto de arrefecimento do mercado global de consumo do têxtil e da moda.
No debate sobre Transição Climática e Energética no 25º Fórum da Indústria Têxtil, moderado por Miguel Pedrosa Rodrigues, e com intervenções de João Almeida da J.F. Almeida, de Patrícia Ferreira da Valérius Hub e de António Braz Costa do CITEVE, ficou clarificado que a sustentabilidade do negócio têxtil e da moda não pode ser feita por cada empresas, mas sim por todas.
Face às exigências que isto acarreta, segundo Braz Costa, uma das áreas prioritárias são “as tecnologias de informação”. “O CITEVE decidiu criar um departamento para tocar essas áreas e falar com as empresas, não só com os patrões. Por isso, pensem a sério em instrumentos que possam facilitar a vida das empresas nesta grande transformação, pois esta transformação não é coisa pouca”, declarou.
A transformação e as exigências tecnológicas estão a ser discutidas em Bruxelas. Uma delas é o Passaporte Digital, que poderá transformar o compromisso com a sustentabilidade e ser uma vantagem competitiva para as empresas. “Com este passaporte digital vamos passar efetivamente a ter dados concretos e até comparações específicas. E aí, os nossos clientes podem decidir efetivamente se eles preferem produzir em Portugal para um determinado consumo ou se preferem produzir noutro país”, contextualizou Patrícia Ferreira que, paralelamente, acredita que “o facto de estarmos todos aqui concentrados no Norte traz-nos uma vantagem competitiva”.
“Na JF Almeida, o facto de sermos uma empresa vertical traz vantagens aos nossos parceiros. Aquelas pequenas e médias empresas que são nossos parceiros e nossos clientes, que não tem fiação ou que não tem capacitação para ter algum produto sustentável nós conseguimos fornecer”, acrescentou João Almeida.
Mas a grande questão que se colocou é “o que é necessário acontecer para que seja possível reciclar 2,5 milhões de toneladas até 2030?”. E, segundo Braz Costa, esse é o maior desafio. “É preciso haver tecnologia para resolver o problema e não há. Em Portugal são enviadas para o lixo todos os anos duzentas mil toneladas de produto têxtil. São duzentas mil toneladas de matéria-prima potencial”.
Para tal o diretor-geral do CITEVE, acredita que em primeiro lugar é necessário desenvolver tecnologias de separação de desmantelamento das peças. “E já estão a ser desenvolvidas”. O CITEVE desenhou um projeto para ajudar. “Vamos ter em Portugal duas fábricas de fibras de liocel”, revelou.