Ana Rodrigues
A TMG Textiles integrou um projeto de desenvolvimento de uma cadeia de valor para a transformação de redes de pesca inutilizadas e algas em têxteis no Pacto da Bieconomia Azul. Tintex Textiles, Fitexar, CeNTI e CITEVE são algumas das 16 entidades envolvidas.
O projeto – que começou pelo desafio lançado pela startup portuguesa que produz calçado, roupa e acessórios em poliéster reciclado criado a partir de plásticos recolhidos no mar – é um dos sete verticais do Pacto da Bioeconomia Azul liderado pela Inovamar, uma das agendas mobilizadoras do PRR. No calendário, está prevista a apresentação, em dezembro de 2025, de uma coleção de vestuário e calçado desportivos que promovem a redução do uso de materiais de origem fóssil ou não renováveis e a despoluição dos oceanos e da costa.
Como explicou Pedro Silva, diretor de I&D da TMG Textiles, ao jornal Dinheiro Vivo, “somos constantemente desafiados por startups para apadrinharmos novas tecnologias e, neste caso, o desafio era ter redes de pesca transformadas em materiais têxteis. O objetivo é ter um produto totalmente diferenciador que acrescente valor ao artigo final e que seja integralmente produzido em Portugal. E acreditamos que teremos sucesso. Mas não quisemos ficar por aqui e começámos a pensar como poderíamos maximizar o mar e trazê-lo para o têxtil, incorporando as algas no processo”.
As algas são consideradas para combater uma das fases mais poluentes da ITV – o tingimento – e, assim, integram a produção de tingimentos têxteis mais sustentáveis. Mais ainda, pretende-se utilizar as microalgas para associar diversas funcionalidades aos novos tecidos e malhas, nomeadamente com capacidades antioxidante, antibacteriana, anti-inflamatória, anti-UV, anti-transpirante ou anti-odor.
No entanto, as aplicações das algas não se ficam por aqui e os cientistas estão ainda a estudar o potencial das microalgas no tratamento de efluentes têxteis, de modo a diminuir a pegada hídrica deste sector.
“Estamos na fase de validação final da escala laboratorial dos fios a partir das redes de pesca, mas acredito que rapidamente começaremos a ter fio em escala industrial. Esperamos, em 2025, já ter novidades para apresentar ao mercado”, explicou o diretor de I&D da TMG Textiles. Entre os intervenientes, a Docapesca tem a seu cargo a recolha das redes; a Sirplaste faz a limpeza e transformação das redes; a Fitexar transforma-as em fio; e a TMG e a Tintex asseguram a produção dos tecidos ou malhas e o seu tingimento.
O produto final deverá resultar numa coleção de produtos de nicho de vestuário para banho e para a prática desportiva lançada sob a marca Lightning Bolt, da TMG e a de calçado, com a marca Skizo.
O Pacto da Bioeconomia Azul tem sete projetos verticais que englobam, no total, 83 entidades nacionais, das quais 53 são empresas e que pretendem desenvolver novos produtos, processos e serviços através da incorporação de bens da bioeconomia azul em novas ou em cadeias de valor já existentes. O investimento total é de 133 milhões de euros, sendo que conta com incentivos de 93,4 milhões.