Bebiana Rocha
“Da próxima vez que um hoodie de luxo esgotar poucas horas depois do lançamento, vale a pena olhar para a etiqueta. Há uma forte probabilidade de o acabamento que justificou a sua reputação ter sido realizado numa fábrica situada a cerca de meia hora do Porto.”
É desta forma que termina um artigo publicado este mês pelo TheFashionisto.com, plataforma internacional de informação de moda criada por Carl Barnett e dedicada à cobertura das principais tendências, marcas e movimentos da indústria. Desta vez, o destaque recai sobre o “Made in Portugal”, apontando o Norte do país como uma das mais importantes plataformas de produção de moda masculina da Europa.
Segundo a publicação, o Norte de Portugal produz para algumas das principais marcas internacionais de moda, sendo citado como um dos mais densos polos europeus de confeção e desenvolvimento têxtil. Entre os exemplos apresentados surgem a Balenciaga e a Loewe, duas casas de luxo que recorrem ao know-how nacional para diferentes categorias de produto.
Vila Nova de Famalicão é identificada como uma referência na confeção de blazers, enquanto Barcelos e Guimarães são destacados como os principais polos especializados em malhas, produzindo jersey de algodão de elevada gramagem destinado a algumas das maiores marcas de streetwear. Já a Covilhã é elogiada pela tradição dos lanifícios e pelo desenvolvimento de lãs impermeáveis e funcionais.
O artigo reserva ainda palavras de reconhecimento para a tinturaria portuguesa. A propósito da Balenciaga, refere que “as empresas portuguesas são valorizadas pela capacidade de realizar lavagens com efeito vintage e pela construção reforçada das peças”, características associadas às sweatshirts de aspeto desgastado que marcam a identidade da marca. No caso da Loewe, o destaque vai para as conhecidas sweatshirts Anagram, cujos bordados multicoloridos são produzidos no Norte de Portugal, sendo sublinhada a elevada precisão técnica alcançada pelas empresas nacionais.
Entre as principais vantagens competitivas identificadas pelo autor estão a proximidade aos grandes centros europeus da moda, os elevados padrões de qualidade das unidades industriais, a confeção cuidada, o conhecimento técnico especializado e a relação entre qualidade e custo.
Ao comparar o “Made in Portugal” com o tradicional “Made in Italy”, o artigo conclui que “os elevados padrões de qualidade observados nestas unidades de produção são comparáveis aos das oficinas italianas das grandes casas de luxo. A diferença reside na especialização: enquanto Itália continua associada ao couro, Portugal destaca-se pelas malhas e pelo vestuário casual”. A publicação acrescenta ainda que “a produção portuguesa oferece cadeias de abastecimento mais curtas, cumprimento das normas laborais europeias e uma infraestrutura consolidada”, fatores que continuam a reforçar a competitividade da indústria nacional junto das principais marcas internacionais.