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Depois de muitas empresas terem reorganizado a produção para responder às necessidades do Serviço Nacional de Saúde, o têxtil português quer assumir-se como cluster produtor de artigos para o setor da saúde. “Este é um cluster de futuro, não tenho dúvidas”, assegura o presidente da ATP, Mário Jorge Machado.
Uma convicção que sairá fortemente reforçada “se nos cadernos de encargos dos concursos públicos se introduzir uma cláusula de que pelo menos 50% da produção tem de ter origem europeia”. Por outro lado, o primeiro-ministro António Costa já disse que Portugal terá de voltar a produzir o que se habituou a importar da China e o presidente da ATP não tem dúvidas de que uma regra desse tipo “vai ser um grande incentivo e uma garantia de que vai haver um mercado que garante a sobrevivência das empresas que investirem na produção destes artigos”, como sublinhou em declarações à agência Lusa.
De acordo com Mário Jorge Machado, foram “muitas dezenas” as empresas têxteis portuguesas que, face à escassez de equipamentos de proteção individual no SNS “se adaptaram rapidamente” e redirecionaram a atividade para a produção de materiais como máscaras, batas e outros dispositivos médicos. Esta rápida resposta da indústria nacional acabou por resultar na constituição de um potencial cluster nesta área, cujo efetivo desenvolvimento pode representar uma nova área de negócio para o setor têxtil e de vestuário português.
Por outro lado, sustentou que a aposta na produção europeia deste tipo de dispositivos médicos poderá evitar situações de escassez como a atual: “O objetivo é que não volte a repetir-se o que está a acontecer agora, em que queremos alguns produtos de proteção básicos e tem de vir tudo da Ásia, porque as infraestruturas da indústria na Europa desapareceram devido à desindustrialização”, afirmou Mário Jorge Machado.