José Augusto Moreira
A Têxteis Penedo já está a produzir tecidos que se iluminam. O projecto LEDinTEX, desenvolvido com o CITEVE e o CeNTI, chegou à fase de industrialização e a empresa deu a conhecer o milagre da luz: Uma linha piloto robotizada de fixação de sistemas de iluminação (LEDs) em estruturas têxteis.
Com capacidade para “iluminar” tecidos até 3,8 m de largura, a linha de produção tem por base uma câmara que, depois de identificar o desenho, localiza os pontos de aplicação do LED, que coloca e fixa através de um processo de colagem que foi especificamente desenvolvido para o efeito. O processo é completamente automatizado, da localização dos pontos de assemblagem ao levantamento dos fios, colocação e fixação dos LED.
“Trabalhamos com jacquard – é uma característica da Penedo – que sai do tear já com um fio condutor integrado”, explicou Sandra Ventura, a directora de inovação da empresa. O próximo passo, adiantou, passa pelo “emparelhamento com telemóvel para ligar e desligar ou regular a intensidade da luz”. Com o processo de produção industrial instalado, a Penedo projecta uma facturação anual na ordem do milhão de euros. “Este ano deve ser ainda de instalação e agilização de procedimentos. No próximo ano, já em fase regular de produção tudo aponta para uma receita à volta do milhão de euros”, explicou o administrador Agostinho Afonso.
O projecto para incorporação de LEDs nos tecidos foi desenvolvido em conjunto com o CeNTI e o CITEVE, e contou com o apoio da Agência Nacional de Inovação e financiamento do Compete 2020 e Portugal 2020, através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. Concluída a fase de investigação e desenvolvimento, a novidade começou por ser apresentada em fóruns e feiras internacionais, na forma de um cortinado com pontos de iluminação.
Mas o problema foi que logo começaram a surgir potenciais compradores. Sim, um problema já que para executar uma única peça era necessário um dia de trabalho. Pelo menos.
Havia, pois, que avançar para o processo de industrialização do produto, o que foi conseguido com a associação ao projecto de uma empresa da área da automação industrial. Com sede em Valongo, a Controlar tem trabalhado de perto com sistemas para a área automóvel e desenvolveu a linha de industrialização para o LEDinTEX.
“Isto tem para nós uma importância muito grande, já que é um bom exemplo de clusterização”, salientou o director geral do CITEVE administrador executivo do CeNTI, Braz Costa. “Numa região com tanta indústria e conhecimento é difícil de explicar como não temos produção de equipamentos. É por isso que este é um projecto de extrema importância. É desenvolvimento que chega à fase de industrialização, que se traduz em negócio e gera dinheiro, e isto com tecnologia e ‘brainwar’ português”, realçou Braz Costa.