Bebiana Rocha
Os representantes do ecossistema empresarial da região reuniram-se no CITEVE no passado dia 14 de novembro para conhecer os avanços do projeto TEXP@CT. O evento ‘Digitalizar com Impacto a ITV’ vincou a importância das tecnologias 4.0 para o reposicionamento do sector têxtil e vestuário.
Da parte da manhã o ponto alto foi o debate entre Nuno Sousa da Impetus, Sérgio Lopes do IPVC e Gil Sousa da ESI Robotics, que discutiram como as tecnologias emergentes estão a moldar o futuro da fileira.
Já da parte da tarde a apresentação dos resultados já alcançados abordaram: soluções de robotização e automação, outras soluções com vista a criar uma fábrica responsiva, plataformas diretas ao consumidor, a necessidade da interoperabilidade de dados para comunicações mais eficazes, inovações em têxteis inteligentes e como é que as plataformas digitais estão a transformar o processo de criação de produtos e a otimização do design.
De referir ainda que durante o evento foram apresentados demonstradores desenvolvidos nos diferentes work packages, que se tornarão serviços e produtos no futuro. Na área da robótica foi possível ver braços robóticos manipularem tecidos e peças de vestuário, nomeadamente a realização de operações de costura. Várias soluções de rastreabilidade de work in progress, como rolos de malha, peças finais, soluções de etiquetas com RFID, resistentes a processos potencialmente destrutivos como tingimento e acabamento.

De citar ainda sistemas de digital twins que facilitam a recolha e a disponibilização de informação relativa às operações no chão de fábrica, diferentes protótipos de têxteis inteligentes que ligam têxtil e eletrónica para desporto, saúde ou lar.
Os presentes puderam ainda tomar contacto com sistemas de troca de dados entre diferentes ERP para o sector têxtil, sistemas de apoio para profissionais ligados às fases de design e desenvolvimento de produtos e com uma plataforma de ensino para formação e-learning, b-learning e self learning.
Ao T Jornal João Nuno Oliveira, do departamento de transição digital do CITEVE, faz o ponto da situação do projeto.
“O projeto encontra-se num momento intermédio em termos temporais e já com resultados que apresentam maturidade suficiente para serem apresentados publicamente. Foi isso que procurámos com este evento. A estratégia seguida para o desenvolvimento das soluções propõe que este se faça de forma interativa, privilegiando o aparecimento dos primeiros protótipos mais cedo, de forma a poder validar os conceitos e as abordagens, recolhendo feedback de utilizadores”, situa.

O encontro serviu também para captar empresas para testarem estas soluções quando estiverem numa fase de maior maturidade e quem sabe torná-los clientes futuros. O porta-voz exalta a amplitude do projeto, que cobre praticamente toda a agenda de inovação digital para os setores têxtil e vestuário.
“No TEXP@CT temos a automação e robótica, a responsividade e flexibilidade das operações industriais, o comércio eletrónico, a troca de dados entre clientes e fornecedores, os têxteis inteligentes, o design e desenvolvimento digital de produtos, e as competências digitais”, enumera.
Fazem parte do consórcio dezasseis empresas têxteis e vestuário e dezasseis do sector das tecnologias digitais e soluções de produção avançada, às quais se juntam ainda seis entidades de I&D e uma associação.
Como forma de aguçar a curiosidade dos leitores, João avança ainda com o aparecimento de soluções baseadas em inteligência artificial. “As abordagens de IA são transversais a todas as áreas do projeto. Será possível encontrá-las nos sistemas de otimização do planeamento da produção, previsão de anomalias e de defeitos na produção, previsão de vendas e de tendência, arte generativa, entre outras”, elucida.
Mas a ambição do projeto TEXP@CT não para por aqui, o grupo inclui ainda na agenda de trabalho criar soluções de armazéns automáticos, sistemas de intra logística, soluções de robótica, sensorização do parque de equipamentos industriais, entre outros.
