Bebiana Rocha
A Temu anunciou esta quarta-feira, 22 de julho, a assinatura de um memorando de entendimento com a Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), uma parceria que reforça a presença da plataforma no ecossistema institucional português e amplia a sua participação no debate sobre o comércio eletrónico e os marketplaces na Europa.
Segundo o comunicado divulgado pelas duas entidades, o acordo tem como objetivo “reforçar o diálogo, a partilha de conhecimento e a promoção de práticas responsáveis no comércio digital em Portugal”. No âmbito da parceria, a Temu passa a integrar a rede da APDC, composta por empresas, instituições, especialistas e entidades do setor público que contribuem para a transformação digital do país.
“A colaboração criará oportunidades para trocar perspetivas sobre a evolução do comércio eletrónico e sobre as oportunidades e responsabilidades associadas aos marketplaces digitais”, refere o comunicado.
A parceria prevê ainda a realização de iniciativas conjuntas de partilha de conhecimento e de aproximação às empresas. A APDC compromete-se a divulgar informação relevante junto dos associados interessados em explorar oportunidades nos marketplaces online, enquanto a Temu disponibilizará recursos para integração na plataforma, conhecimento sobre este modelo de negócio e acesso a mecanismos de apoio dirigidos às empresas locais.
Além disso, a plataforma passará a participar nas atividades da associação e em debates dedicados à evolução do comércio eletrónico, às tendências do mercado e ao enquadramento regulatório do setor.
Para a Temu, o acordo representa mais um passo na estratégia de aproximação às instituições europeias e aos diferentes intervenientes da economia digital. Nos últimos meses, a empresa tem vindo a reforçar a sua presença no continente através de acordos com parceiros locais e de iniciativas de colaboração com organizações nacionais, procurando integrar-se nas discussões sobre o futuro dos marketplaces e da regulamentação do comércio eletrónico.
Para as empresas portuguesas do setor têxtil e vestuário, tradicionalmente posicionadas em segmentos de maior valor acrescentado, produção especializada e fornecimento para marcas internacionais, o interesse desta evolução reside menos na plataforma enquanto canal comercial e mais no crescente peso que os grandes marketplaces assumem na definição das regras, das práticas e do enquadramento do comércio digital europeu. A aproximação da Temu ao tecido institucional português demonstra que estes operadores procuram participar de forma cada vez mais ativa na construção desse ecossistema, um processo que poderá influenciar a evolução das políticas e das dinâmicas concorrenciais no mercado europeu.