José Augusto Moreira
em Xangai
Ricardo Marques ainda não consegue falar mandarim mas já trata por tu muitas das empresas chinesas às quais fornece o desenho de padrões de fabrico, sobretudo para produtos de cama como edredões e lençóis. São clientes do Tela’s Design, um gabinete de Guimarães no qual Ricardo tem funções comerciais.
Ao todo são já mais de uma centena de clientes chineses, um negócio que começou há cerca de 15 anos e não tem parado de crescer. “Os primeiros começaram a aparecer na Feira de Frankfurt, alguns deles tornaram-se entretanto grandes empresas e desse tempo mantemos ainda uma vintena de clientes”, explica Ricardo que por estes dias não teve descanso na Intertextil Shanghai.
Não só pela azáfama a atender novos e velhos clientes, mas também pela atenção redobrada para que os seus desenhos não sejam filmados ou fotografados, uma prática insistente apesar dos muitos avisos e cartazes a proibir tal prática.
“Este é um negócio muito específico, que precisa da feira”, explica o comercial que passa meio ano de mala feita, não só entre feiras mas também em visitas a clientes. “Não dá para mandar por mail – dado o risco de ficarem com os desenhos e não concretizarem negócios -, é preciso o contacto pessoal e quando é um cliente grande compensa metermo-nos no avião e vir cá conversar”.
Dai que a presença nas feiras seja decisiva e, no caso da China, os clientes já se habituaram a vir para escolher novos desenhos. “Trazemos sempre uma grande colecção de exclusivos, compram o protótipo e depois podem desenvolver à volta dele combinações de cores. Normalmente querem que sejamos nós também a desenvolver essas combinações”, explica Ricardo Marques, que, além das duas edições anuais de Shanghai, tem também presença regular marcada nas feiras de Frankfurt, Amesterdão, Nova Iorque e Taiwan.
Fundado por Carlos Oliveira, que é gerente e director criativo, o Tela’s Design tem cerca de uma dezena de criativos e trabalha atualmente para mais de 300 clientes espalhados por cerca de 50 países. Em Portugal têm também à volta de cem clientes (“praticamente todas as empresas de Guimarães”), para os quais fazem protótipos de design.
Em muito casos são empresas que têm também gabinetes de design próprios, “mas precisam também do confronto com outras visões, novas ideias”, explica o comercial que, apesar do muito trabalho e viagens constantes, diz ter a vida facilitada.
“Este é um mercado fácil. Não é preciso estar a impingir nada, ou gostam ou não gostam”, sintetiza Ricardo, que em Shanghai tem contado com um apoio muito especial. Ma Yao, o jovem chinês que depois de uma conversa na feira de há quatro anos passou a ser o seu tradutor.
Há dois anos, na altura de escolher formação, os pais, que vivem na Austrália, incentivaram-no a estudar português. Inscreveu-se na Universidade do Minho, mora em Guimarães, e até já comenta com Ricardo em bom calão nortenho quando o cliente parece interessado o produto.