Bebiana Rocha
A transformação da indústria têxtil rumo a modelos mais sustentáveis e circulares esteve em destaque em Badajoz, nos dias 22 e 23 de maio, durante o evento Tejiendo Futuro, promovido no âmbito do projeto europeu RESOTEX. Ao longo de dois dias, profissionais, empresas, designers, empreendedores e público em geral reuniram-se em torno de um programa dedicado à moda sustentável, ecodesign, economia circular e consumo responsável, reforçando o eixo de cooperação entre a Estremadura e Portugal.
Na sessão de abertura, a presidente da Diputación Provincial de Badajoz, Raquel del Puerto, acompanhada pela deputada Ana Belén Valls, destacou a importância de avançar para novos modelos de produção e consumo mais responsáveis e sustentáveis, sublinhando o papel estruturante da iniciativa no contexto regional e europeu. “’Tejiendo Futuro’ é um evento em que se demonstra como é possível existir um caminho sólido para uma nova forma de produzir, de criar, de consumir e de gerir os nossos recursos”, afirmou a presidente da Diputación Provincial de Badajoz, reforçando ainda a relevância da cooperação transfronteiriça como fator decisivo para o desenvolvimento partilhado entre Espanha e Portugal: “A Europa une mais do que separa, porque graças a este projeto estamos a falar de um trabalho conjunto entre espanhóis e portugueses, de dois países vizinhos que olham para um futuro partilhado.”

Raquel del Puerto destacou igualmente o compromisso institucional com a transformação sustentável do setor têxtil, sublinhando a promoção de um consumo mais responsável, a criação de oportunidades associadas à economia circular e a melhoria da gestão de resíduos através da reciclagem. Nesse sentido, acrescentou que “a reciclagem têxtil também é falar de oportunidades, de emprego, de inovação, de consciência social e ambiental e de transformação industrial”.
Do consórcio português do RESOTEX, marcaram presença a ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, o CITEVE, o Município do Fundão e o MODATEX. Este último, numa intervenção realizada por Pedro Guimarães, destacou o ecodesign como uma competência fundamental para o futuro da indústria têxtil, sublinhando que “80% do impacto de uma peça de roupa é determinado durante a fase do design”.

No mercado têxtil, a Fatextil integrou um espaço que reuniu 15 marcas de Portugal e Espanha, assumindo esta participação como uma oportunidade para reforçar a sua presença num contexto dedicado à sustentabilidade, à partilha de conhecimento e à valorização de práticas mais responsáveis no setor. Ao T Jornal, Francisco Silva, Area Sales Manager da Fatextil, revela que “foi uma experiência muito positiva, que permitiu cultivar relações comerciais com o mercado espanhol e promover um intercâmbio enriquecedor em matéria de sustentabilidade e circularidade”.
Além das sessões técnicas e dos espaços de networking, o evento integrou um sistema de troca de roupa, promovendo a reutilização e o prolongamento do ciclo de vida das peças, bem como workshops criativos onde os participantes transformaram materiais têxteis em estojos para óculos e sacos de pano. O Tejiendo Futuro encerrou com um desfile de moda sustentável que reuniu 12 designers, reforçando a aposta na criatividade aliada à responsabilidade ambiental e consolidando o evento como um espaço de encontro entre inovação, território e consciencialização para um consumo mais responsável.

“A III edição do Tejiendo FUTURO consolidou a RESOTEX como um ecossistema transfronteiriço dinâmico, que liga o artesanato, o design, a formação e a inovação – um espaço de encontro e de comunidade que deu visibilidade ao talento têxtil hispano-luso, especialmente feminino e rural, gerando alianças, orgulho no setor e novas oportunidades para o futuro do têxtil sustentável”, afirma Paloma Castro, diretora de projetos da Diputación Provincial de Cáceres, a entidade que lidera o RESOTEX, ao T Jornal.