Bebiana Rocha
Balenciaga apresentou na sua coleção Primavera 2026 duas inovações tecnológicas: tecelagem 3D e seda produzida através de bioengenharia. Estas soluções foram desenvolvidas com o apoio do Material Innovation Lab do Grupo Kering e, segundo um comunicado de imprensa publicado no final de janeiro, permitem reduzir o impacto ambiental da marca sem comprometer o caráter artesanal e de alta costura que a distingue.
No caso da tecelagem 3D, a Balenciaga contou com o apoio da Weffan para criar um casaco de alfaiataria com três bolsos, combinado com calças plissadas. Esta técnica permite que a construção da peça seja incorporada diretamente no tecido durante a tecelagem: o têxtil sai do tear já com o molde e a estrutura integrados e, posteriormente, é desdobrado numa forma tridimensional, semelhante a um origami.
A seda, desenvolvida em parceria com a startup alemã AMSilk, foi aplicada numa camisa e num vestido camiseiro. Este material é livre de combustíveis fósseis, reproduz a aparência e o toque da seda tradicional, mas oferece maior elasticidade e resistência a vincos.
Em termos de sustentabilidade, apresenta uma redução de 97% no consumo de água e 81% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com a seda convencional, além de possuir propriedades bacteriostáticas. O processo envolve a programação de microrganismos para produzirem proteínas cultivadas em laboratório, que são transformadas em polímeros, fiadas em fios ultrafinos e tecidas num tecido semelhante à seda.